JOÃO RAFAEL TATICO BORGES PROFESSOR DE HISTÓRIA HISTORIADOR
quinta-feira, 29 de junho de 2017
sábado, 13 de dezembro de 2014
UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOÍAS
PÓS-GRADUAÇÃO ESPECIALIZAÇÃO – LATU – SENSU
DISCIPLINA: MICRO – HISTÓRIA
PROF. DR. ALBERTO BAENA ZAPATERO
ALUNO JOÃO RAFAEL TATICO BORGES
TEMA DO MEU ARTIGO
FINAL DE ESPECIALIZAÇÃO
Referências
FERNANDES,
Adriana. Da Necessidade de Experiências Musicais: Sensibilidades e
Sociabilidades perspectivas de pesquisa. Goiânia, Ed. UCG-2008.
FIUZA,
Alexandre Fernandes. Reflexões sobre o trabalho com a canção na
sala de aula. Ensino de Historia e Educação: Olhares em Convergência.
Ponta Grossa: Editora UEPG, 2007.
DUARTE,
Milton Joeri Fernandes. “A música e a construção do conhecimento
histórico em aula”. São Paulo: FEUSP, 2011.
NAPOLITANO,
Marcos. História & música – história cultural da música popular; Belo Horizonte: Autêntica, 2002.
AZAMBUJA,
Luciano de. Jovens alunos e aprendizagem histórica: perspectivas a partir da canção
popular. Tese de Doutorado
Curitiba, 2013.
CONCEITO DE
MÚSICA NA HISTORIOGRAFIA DO ENSINO DE HISTÓRIA
Segundo Adriana
Fernandes (2008), conceito de música deve se estender muito além das fronteiras
da música ocidental, deixando para trás o eurocentrismo e tentando vislumbrar
as pluralidades.
A definição do que seja
música é um tema em debate já há algum tempo e vejo esta arena prenhe de
frutos. Se o termo está sendo reelaborado e repensado constantemente por seus
estudiosos isso mostra seu intrínseco caráter dinâmico – o que pode ser
definido como música hoje não era necessariamente considerado no século XII,
por exemplo. Música é um termo e um conceito mutável e existem sociedades que
inclusive não possuem um termo especifico, mas sim equivalente ao que nós
chamamos “música” para designar seus procedimentos sonoros, como por exemplo os
índios Suya do Mato Grosso, estudado por Seeger (2004).
Candé (1983) nos dá um
quadro desta transformação dos conceitos sobre o termo música. Segundo ele,
para os Pitagóricos (Séc. V a. C) “a música é a ciência da ordem de todas as
coisas”. (Candé, 1983); para o bispo, teólogo e filosofo Santo Agostinho (Séc.
IV-V) “a música é a arte dos movimentos bem escutados”; para De Garlende (1270
– 1320), teórico musical francês dos Séc. XIII “música é a ciência do número em
relação com sons”; para Leibniz (1647 – 1716), filósofo alemão do Séc. XII
“música é um exercício secreto de aritmética e todo aquilo que ela se
entrega, ignora que manuseia números”.
Logo em seguida Candé cita a definição de Rousseau (1712 – 1778) – filósofo,
músico e compositor do século XVIII, que é a mais conhecida e difundida até
hoje, especialmente nas instituições de ensino de música: “música é a arte de
combinar sons de uma forma agradável ao ouvidos”. Depois de Rousseau, quem
finalmente fala é um reconhecido músico e compositor, Beethoven (1770 – 1827):
“música é uma revelação” mais alta do que a ciência e a filosofia “e Candé
termina com as definições do filosofo Nietzche (1844 – 1900): ‘música é a
imagem adequada da própria vontade” e Dukas (p. 10), compositor e professor de
música francês (1865 – 1935): “música é, antes de tudo, uma arte de expressão
séria e sublime”. (FERNANDES, 2008, pp. 82 – 83).
Como se pode ver, no
quadro apontado por Candé podemos dividir estes conceitos em duas grandes
categorias: aqueles que aliam música a matemática, e aqueles que aliam à
expressividade. No entanto, aqueles que considero que estejam mais próximas
desta categoria de expressividade têm em comum elementos de julgamento aliados
à estética ocidental: “agradável”, “bem executados”, “revelação mais alta”,
“seria” e “sublime” Fernandes (2008).
Segundo a definição apontada Beethoven, que
diz, mas como uma manifestação sonora humana pode ter como elemento intrínseco,
e por tanto, formativo, a “agradabilidade” ou a “seriedade”? Estes julgamentos
são feitos a posteriori pelo grupo e pelo próprio performer onde tal fenômeno
se manifesta, visto que ele só passa a ser fenômeno depois de soar Fernandes
(2008).
Portanto afirma Adriana
(2008), o conceito de música hoje deve ser pensado de uma maneira bem mais
ampla do que vem sendo difundido desde o século XVIII, pois o nosso
conhecimento sobre as músicas e sobre as sociedades que as praticam tornam-se
bem mais amplos e também, a explicação do fenômeno sonoro musical foi
aprofundado por meio dos estudos de acústicas, da física, da antropologia, da
sociologia, e outras áreas do conhecimento.
Já nas palavras de
Napolitano (2002) Aquilo que hoje chamamos de música popular, em seu sentido
amplo, e, particularmente, o que chamamos “canção” é um produto do século XX.
Ao menos sua forma “fonográfica”, com seu padrão de 32 compassos, adaptada a um
mercado urbano e intimamente ligada à busca de excitação corporal (música para
dançar) e emocional (música para chorar, de dor ou alegria...). A música
popular urbana reuniu uma série de elementos musicais, poéticos e performáticos
da música erudita (o lied, a chançon, árias de ópera, bel canto, corais etc.),
da música “folclórica” (danças dramáticas camponesas, narrativas orais, cantos
de trabalho, jogos de linguagem e quadrinhas cognitivas e morais e do
cancioneiro “interessado” do século XVIII e XIX (músicas religiosas ou
revolucionárias, por exemplo). Sua gênese, no final do século XIX e início do
século XX, está intimamente ligada à urbanização e ao surgimento das classes
populares e médias urbanas. Esta nova estrutura socioeconômica produto do
capitalismo monopolista, fez com que o interesse por um tipo de música,
intimamente ligada à vida cultural e ao lazer urbanos, aumentasse. A música
popular se consolidou na forma de uma peça instrumental ou cantada, disseminada
por um suporte escrito-gravado (partitura/fonograma) ou como parte de
espetáculo de apelo popular, como a opereta e o music-hall (e suas variáveis).
A estas duas formas de consumo de música popular, que se firmaram entre 1890 e
1910 (CLARKE, 1995), não podemos esquecer uma função social básica que a música
sempre desempenhou: a dança. Elemento catalisador de reuniões coletivas,
voltadas para a dança, desde os empertigados salões vienenses ao mais
popularesco “arrasta-pé”, passando pelos saraus familiares e pelos não tão
familiares bordéis de cais-de-porto, a música popular alimentou (e foi
alimentada) pelas danças de salão (NAPOLITANO, 2002, pp. 8 – 9).
Portanto, as relações
entre música popular e história, Napolitano (2002), assim como a história da
música popular no Ocidente, devem ser pensadas dentro da esfera musical como um
todo, sem as velhas dicotomias “erudito” versus “popular”.
“A
música e a construção do conhecimento em aula”
tema pesquisado por Duarte (2011) em seu doutorado assim sendo Duarte observa
alguns aspectos da utilização da linguagem musical que indicam como as
representações históricas construídas pelos alunos e professores, incentivadas
pela música, foram estudadas de maneira diagnóstica, por meio de uma pesquisa
de inspiração etnográfica de observação e entrevistas. Procurou-se identificar
as relações estabelecidas pelos sujeitos entre a realidade atual e o passado
histórico, formando assim, a chamada consciência
histórica.
Ainda segundo Duarte
(2011) medida pela linguagem musical, essa consciência histórica possui uma
forte carga efetiva elaborada pelos alunos e professores, transformando-se em
memória pessoal e modelo de referência para a apreensão e a assimilação das
novas audições, similares ou não às anteriores, revelando, assim, o que podemos
chamar de consciência musical dos sujeitos envolvidos. Questões essenciais
deverão ser respondidas por esta pesquisa, entre as quais: como se forma essa
consciência musical? Qual a importância dela na formação da consciência
histórica e na construção do conhecimento histórico de alunos e professores?
As experiências do
passado representam, no relato dos entrevistados, mais que a matéria – prima
bruta de histórias produzidas para fazer sentido. Trata-se de algo que já
possui, em si, a propriedades de estar dotado de sentido, de modo que a
constituição consciente de sentido da narrativa histórica se refere diretamente
a ela e lhe dá continuação, engendrando vários ingredientes das operações
conscientes do pensamento histórico.
O passado a ser
articulado, como estado de coisas, com as orientações presentes no agir
contemporâneo dos alunos e dos professores. Assim, as representações históricas
dessas narrativas têm de ser pensadas como algo que empregue de determinados
processos da vida pratica desses sujeitos que fazem parte dos processos de
construção de sentido estabelecido pela consciência
histórica (DUARTE, 2011, p. 209).
A consciência histórica
aponta Duarte (2011) é, antes de tudo, uma mediação entre os valores morais (orientadores de comportamento) e a ação
dos alunos e dos professores, dentro e fora do ambiente escolar. A maior parte
das representações dos entrevistados, durante minha pesquisa, demostrou a
necessidade da consciência histórica para tratarem de valores morais e de
argumentação moral (razão) e de como essa consciência pode ser estimulada pela
linguagem musical.
Para Luciano de
Azambuja (2013), o conceito de canção popular, já feitas a partir das
referências de sua dissertação de mestrado, aponta que foi proposta uma
determinada leitura histórica da canção, ou seja, uma leitura que leve em conta
a especificidade, complexidade e unicidade do objeto canção, apropriado
enquanto fonte histórica para o ensino e aprendizagem de história. Para
costurar a articulação entre teoria e prática na disciplina de prática de
ensino, nos referenciamos em Rüsen para delimitar as categorias norteadoras
consciência histórica, narrativa histórica e fonte histórica. A partir da articulação
dessas três categorias históricas é que passamos para o próximo passo do estudo
piloto: o caminho prático metodológico. Finalizada a etapa de estudos teóricos,
os alunos estagiários passaram a estabelecer os contatos com a escola e os
professores que aceitaram participar da proposta de estágio. Os oito alunos
selecionados para a investigação fizeram o seu estágio em uma das turmas do
primeiro, segundo e terceiro anos do ensino médio, abarcando um total de 189
alunos, adolescentes com idade variando entre 14 e 17 anos Azambuja (2013).
Em sua tese de
doutorado Azambuja afirma (2013) Foi orientado aos alunos estagiários que, no
primeiro contato com a turma propusessem uma breve discussão sobre a
importância da música na vida dos jovens, e encaminhassem uma investigação
sobre os seus interesses e gostos musicais. Esse instrumento de investigação
revelou os seguintes dados: a grande maioria dos jovens alunos e alunas tem
como gênero musical de preferência o rock, gênero que se desdobra em diversos
estilos, tipos e tendências tais como heavy metal, hardcore Pop rock, rock’n roll, e ainda outros como, alternativo, surf
song e emo. Também fizeram referência aos gêneros pop, música clássica, música
eletrônica, rap, reggae, hip hop, funk, e jazz em Percentuais decrescentes.
Observou-se o predomínio da música que intitulamos música estrangeira de
tradição anglo-americana. Interessante constatar que uma pequena amostra de
alunos que se identifica com o gosto musical denominado por eles como eclético,
parece estabelecer a ponte entre a música estrangeira, e a música brasileira,
assim designada por nós, pois o seu gosto diversificado e aberto permite gostar
“de tudo um pouco”. Apesar do predomínio da música estrangeira anglo-americana,
a música popular brasileira possui um lugar significativo nos gostos musicais
dos jovens alunos investigados. Destacam-se os seguintes subgêneros em ordem de
incidência de citações: sertanejo, pagode, MPB, gospel, rock Brasil, pop
Brasil, samba e outros como rap,
reggae e funk; pode-se perceber que
há uma série de gêneros estrangeiros que são abrasileirados e que constituem
dicções que passam a fazer parte da música popular brasileira. Dentre os
grupos, cantores e compositores estrangeiros se em ordem decrescente: Iron Maiden, Metallica, Green Day, Never
Shout Never, Paramore, Beatles, Nirvana, Bom Jovi, Avril Lavigne, Ramones,
Oasis, Panic At The Disco, dentre outros. Pode-se observar a predominância
do gênero rock em suas diversas vertentes. Dentre os grupos, cantores e compositores
brasileiros, destacam-se Legião Urbana,
com uma grande incidência, CPM22,
Detonautas, Charlie Brown Jr, Exaltasamba, Capital Inicial, Vítor e Léo, Strik,
Cássia Eller, Titãs, Fernando e Sorocaba, Raul Seixas, Cazuza, Pitty, Chico
Buarque e Caetano Veloso. Pode-se observar o predomínio do Rock Brasil,
convivendo com o sertanejo e o pagode, e com muito pouca incidência da MPB
(AZANBUJA, 2013, PP. 83 84).
Segundo Alexandre
Felipe Fiuza (2007) não aponta exatamente
o conceito de música o que ele nos mostra através de seu artigo “Reflexões
Sobre o Trabalho com a Canção na Sala de Aula”. É que Vivemos numa sociedade em
que sons e imagens invadem diariamente nosso cotidiano. Essa assertiva não tem
nada de genial, e muito professores percebem nas últimas décadas o grande filão
que é o trabalho em sala de aula com as linguagens: cinematográfica, teatral,
literária, televisiva, e, é claro, musical.
Porém, é possível
perceber certo problema no trabalho com estas linguagens na escola na medida em
que tais expressões são tomadas, pura e simplesmente, como instantâneos da
realidade. Nesse sentido há um
empobrecimento e uma limitação desses objetos. Como aponta Fiuza (2007) é o que
queremos contribuir por meio deste artigo se relaciona com o estudo das
particularidades da linguagem musical.
Podemos vislumbrar aqui
diz Fiuza (2007) dois pontos de discussão quanto à influência da canção em sala
de aula. O primeiro refere-se ao fato de podermos pensar como trabalhar com a
canção como objeto de estudo, como documentos nas diferentes disciplinas. O
segundo diz respeito a qual seria a relação entre o fundo sonoro de uma canção
e o processo de estudo propriamente dito, seja em sala de aula, seja na
residência do aluno. Neste segundo ponto podemos apontas alguns dados obtidos
pela pesquisa realizada por Chiappini e Citeli (1997), junto a 1 mil alunos da
rede pública e privada da grande São Paulo, em 1993. Os pesquisadores
perceberam que boa parte dos alunos fazia lições ou lia ouvindo rádio. Na 3ª
serie série 9,43% deles faziam lições com o rádio ligado; já na 8ª série, eram
16,81%. Para escrever, na 3ª série 3,54%, enquanto na 8ª eram 6,16%. É bem
provável que estes números tenham crescido nestes oito anos; afinal, os meios
de comunicação continuam expandindo sua abrangência e seu monopólio. Tal
contexto só foi um pouco abalado pela Internet, ainda elitizada pelos autos
custos quando comparada ao rádio e à televisão. Contudo, não temos diz a
dimensão da interferência exata da música no processo de estudo, o que abre um
campo rico para pesquisas (FIUZA, 2007, pp. 64 – 65).
terça-feira, 14 de outubro de 2014
UNIVERSÍDADE FEDERAL DE GOIÁS
PÓS – GRADUAÇÃO ESPECIALIZAÇÃO STRITU SENSU
DISCIPLINA: GENERO E REPRESENTAÇÃO
PROF. DR. ALCILENE CAVALCANTE
ALUNO: JOÃO RAFAEL TATICO BORGES
Referência
FOUCAULT,
Michel. História da sexualidade vol. 1: a vontade do saber, Rio de
Janeiro. Edições Graal, 1988.
(1ª PARTE) NÓS VITORIANOS
1 – Parece que, por muito tempo teríamos
suportado um regime vitoriano e a ele nos sujeitamos ainda hoje.
1.1
– Diz-se que no inicio do século XVII
ainda vigorava certa franqueza. As práticas não provocavam o segredo; as
palavras eram ditas sem reticências excessivas e, as coisas, sem demasiado
disfarce; tinha-se com ilícito uma tolerante familiaridade.
1.2
– Gestos diretos, discursos sem
vergonha, transgressões visíveis, anatomias mostradas e facilmente misturadas,
crianças astutas vagabundo, sem incômodos nem escândalo, entre os risos dos
adultos: os corpos “pavoneavam”.
1.3
– A família conjugal a confisca. E
absorve-a, inteiramente, na sociedade da função de reproduzir. Em torno do
sexo, se cala. O casal legitimo e procriador, dita a lei.
1.4
– As crianças, por exemplo, sabe-se
muito bem não tem sexo: boa razão para interdita-lo, razão para proibi-las de
falarem dele, razão para fechar os olhos e tapar os ouvidos onde quer que
venham a manifestá-lo, razão para impor um silêncio geral e aplicado.
1.5
– O rendez-vouz
e a casa de saúde serão tais lugares de tolerância: a prostituta, o
cliente, o rufião, o psiquiatra e sua histérica – estes “outros vitorianos”,
diria Stephen Marcus – parece ter feito passar, de maneira sub reptica, o
prazer a que não se alude para a ordem das coisas que se contam; as palavras,
os gestos, então autorizados em surdina, trocam-se nesses lugares a preço alto.
1.6
– O modo fundamental de ligação entre
poder, saber e sexualidade, só se pode liberar a um preço considerável: seria necessário
nada menos que uma transgressão das leis, uma suspensão das interdições, uma
irrupção da palavra, uma restituição do prazer ao real, e toda uma nova
economia dos mecanismos do poder; pois a menor eclosão de verdade é
condicionada politicamente.
2- Dessa Forma,
denuncia-se o conformismo de Freud, as funções de normatização da psicanalise,
tanta timidez por trás dos arrebatamentos de Reich, todos os efeitos de
integração assegurados pela “ciência” do sexo ou praticas, pouco mais do que
suspeitas, da sexologia.
2.1 – A crônica
menor do sexo e de suas vexações se transpõe, imediatamente, na cerimoniosa história
dos modos de produção: sua futilidade se dissipa.
2.2 – À história
do sexo um patrocínio tão considerável não trazem consigo traços de antigos
poderes: como se fosse preciso nada menos do que essas correlações valorizastes
para que tal discurso pudesse ser proferido ou aceito.
2.3 – Se o sexo
é reprimido, isto é, fadado à proibição, à inexistência e ao mutismo, o simples
fato de falar dele e de sua repressão possui como que um ar de transgressão
deliberada.
2.4 – Os
primeiros demógrafos e os psiquiatras do século XIX, quando tinham que
evoca-lo, acreditavam que deviam pedir
desculpas por reter a atenção de seus leitores em assuntos tão baixos e tão
fúteis.
2.5 – A ideia de
sexo reprimido, por tanto, não é somente objeto de teoria. A afirmação de uma
sexualidade que nunca fora dominada com tanto rigor como na época da hipócrita
burguesia negocista e contabilizadora é acompanhada pela ênfase de um discurso
destinado a dizer a verdade sobre s sexo, a modificar sua economia no real, a
subverter a lei que o rege, a mudar seu futuro.
2.6 – A questão
que gostaria de colocar aqui não por que somos reprimidos mas, por que dizemos,
com tanta paixão, tanto rancor contra nosso passado mais próximo, contra nosso
presente e contra nós mesmos, que somos? Através de que hipérbole
conseguimos chegar a afirmar que o sexo
é negado, a mostrar ostensivamente que o escondemos, a dizer que o calamos – e
isso formulando-o através de palavras explicitas.
(2ª
PARTE) A HIPÓTESE REPRESSIVA
3- Século XVII:
seria o inicio de uma época de repressão própria das sociedades chamadas
burguesas, e da qual talvez ainda não estivéssemos completamente liberados.
Denominar o sexo seria, a partir desse momento, mais difícil e custo.
3.1 – Dir-se-ia
mesmo que essas interdições temiam chama-lo pelo nome. Sem mesmo ter que
dize-lo, o pudor moderno obteria que não se falasse dele, exclusivamente por
intermédio de proibições que se completam mutualmente: mutismo que, de tanto
calar-se, impõe o silencio. Censura.
3.2 - Em
compensação, no nível dos discursos e de seus domínios, o fenômeno é quase
inverso. Sobre o sexo, os discursos – discursos específicos, diferentes tanto
pela forma como pelo objeto – não cessaram de proliferar: uma fermentação
discursiva que se acelerou a partir do século XVIII.
3.3 – Mas o
essencial é a multiplicação dos discursos sobre o sexo no próprio campo do
exercício do poder: incitação institucional a falar do sexo e a falar dele cada
vez mais; obstinação das instâncias do poder a ouvir falar e a faze-lo falar
ele próprio sob a forma da articulação explicita e do detalhe infinitamente
acumulado.
3.4 – Cobre-se,
progressivamente, a nudez das questões que os manuais de confissão da Idade
Média formulavam e grande número daquelas que eram correntes no século XVII.
3.5 – O sexo,
segundo a nova pastoral, não deve mais ser mencionado sem prudência; mas seus
aspectos, suas correlações, seus efeitos devem ser seguidos até às finas
ramificações: uma sombra num devaneio, uma imagem expulsa com demasiada
lentidão, uma cumplicidade mal afastada entre a mecânica do corpo e a
complacência do espirito: tudo deve ser dito.
3.6 – Este
projeto de uma “colocação do sexo em discurso” formara-se há muito tempo, numa
tradição ascéticas e monásticas. O século XVII fez dele uma regra para todos.
Dir-se-á que, de fato, só poderia se aplicar a uma elite mínima; a massa dos
fiéis que só frequentavam a confissão raras vezes por ano escapava a
prescrições tão complexas.
(3ª
PARTE) A INPLANTAÇÃO PERVESA
4- O sexo dos
cônjugues era sobrecarregado de regras e recomendações. A relação matrimonial
era o foco mais intenso das constrições; era, sobretudo dela que se falava;
mais do que qualquer outra tinha que ser confessada em detalhes. Estava sob
estreita vigilância: se estivesse em falta, isto tinha que ser mostrado e
demostrado diante de testemunha.
4.1 - Romper as leis do casamento ou procurar
prazeres estranhos mereciam de qualquer modo, condenação. Na lista dos pecados
graves, separados somente por sua importância, figuravam o estupro (relações
fora do casamento), o adultério, o rapto, o incesto espiritual ou carnal, e
também a sodomia ou a “caricia”.
4.2 – A
“natureza”, em que às vezes se apoiavam, era ainda uma espécie de direito.
Durante muito tempo os hermafroditas foram considerados criminosos, ou filhos
do crime, já que sua disposição anatômica, seu próprio ser, embaraçava a lei
que distinguia os sexos e prescrevia sua conjunção.
4.3 – Em relação às outras formas condenadas (e
que o são cada vez menos) como o adultério ou o rapto, elas conquistam
autonomia: casar com um parente próximo ou praticar a sodomia, seduzir uma
religiosa ou praticar o sadismo, enganar a mulher ou violar cadáveres tornam-se
coisas essencialmente diferentes.
4.4 – Trata-se,
aparentemente, de linhas de um dispositivo de barragem; de fato, organizaram-se
em torno da criança, linhas de penetração
infinitas.
4.5 – Engajadas
no corpo, transformadas em caráter profundo dos indivíduos, as extravagancias sexuais
sobrepõem-se à tecnologia da saúde e do patológico. E, inversamente, a partir
do momento em que passam a ser “coisa”.
4.6 – Prazer e
Poder. Prazer em exercer um poder que questiona, fiscaliza, espreita, espia,
investiga, apalpa, revela; e, por outro lado, prazer que se abrasa por ter que
escapar a essa poder, fugir-lhe, enganá-lo ou travesti-lo. Poder que se deixa invadir
pelo prazer que persegue e, diante dele, poder que se afirma no prazer de
mostrar-se, de escandalizar-se ou de resistir. Captação e sedução; confronto e
esforço recíprocos: pais e filhos, adulto e adolescente, educador e alunos,
médicos e doente, e o psiquiatra com sua histérica e seus perversos, não
cessaram de desempenhar esse papel desde o século XIX. Tais apelos, esquivas,
incitações circulares não organizaram, em torno dos sexos e dos corpos,
fronteiras a não serem ultrapassadas, e sim, as perpetuas espirais de Poder e Prazer.
4.7 – Prazer e
Poder não se anuam; não se voltam um contra o outro; seguem-se, entrelaçam-se e
se relançam. Encadeiam-se através de mecanismos complexos e positivos, de
excitação e de incitação.
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
A
MÚSICA COMO RECURSO PEDAGÓGICO UTILIZADO PELO PROFESSOR EM SALA DE AULA PARA
PROMOVER A APRENDIZAGEM DOS SEUS ESTUDANTES
João Rafael Tatico Borges1
Orientador (a) Maria Madalena
Queiroz2
Resumo: Este
trabalho - se propõe a discutir as possibilidades de se utilizar a música como
recurso pedagógico pelo professor em sala de aula para promover à aprendizagem
dos seus estudantes. A partir do levantamento de referências bibliográficas e
fontes documentais, busca - se uma aproximação às realidades escolares,
demonstrando que a música como recurso pedagógico desde que bem trabalhadas de
diferentes formas. Em sala de aula utilizada pelo professor promovendo assim um
amplo conhecimento e qualidade cultural na aprendizagem de seus alunos a partir
da música como recurso pedagógico, garantindo assim uma melhor participação e
envolvimento dos mesmos no processo educativo.
Palavras - chave: música; recurso
pedagógico; sala de aula; aprendizagem; conhecimento.
Abstract: This work - is
to discuss the possibilities of using music as a teaching resource by teachers
in the classroom to promote the learning of their students. From the survey of
references and documentary sources, search - an approach to school realities,
demonstrating that music as a teaching resource since it worked well in
different ways. Used in the classroom by the teacher thus promoting a broad
knowledge and cultural quality of learning in their students from the music as
a teaching resource, thus ensuring greater participation and involvement of them
in the educational process.
Keywords - Keywords: music;
teaching resource; the classroom; learning; knowledge.
___________________________
1João Rafael Tatico Borges
Graduado em História Pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC - GO).
2 Prof.ª, orientadora: Maria
Madalena Queiroz
Artigo apresentado como exigência
parcial para aprovação na disciplina: estagio supervisionado IV, ofertada pelo
HGS, da Pontifícia Universidade Católica de Goiás.
A Música Como Recurso Pedagógico
A
música utilizada como recurso pedagógico no ensino de história vem demonstrando
sua importância na formação dos estudantes, pois, contribui para que os mesmos
aproveitem e solidifiquem a construção de conceitos científicos, pois é a
partir dai que começam a ter um conhecimento, e começa despertar o interesse
pelas aulas através da música. Como recurso pedagógico representa uma auxilio
aos professores no processo ensino-aprendizagem, que pode ser utilizada
perfeitamente pelos professores como recurso pedagógico eficiente e eficaz,
fazendo com que os seus estudantes expressem seus sentimentos, emoções,
facilitando a compreensão e aprendizagem. Envolve o professor, estudante,
estudante professor e a socialização entre professores e seus estudantes. A
música como recurso pedagógico pode ampliar novas aprendizagens para os
estudantes que estão em reconhecimento com essa mistura ensino e música em sala
de aula uma vez que, para os estudantes representa uma novidade a ser
desenvolvida.
A
música é muito importante na vida dos estudantes, pois os mesmos (as) já nascem
em ambientes musicais diversos. Trabalhar música na escola é continuar o
universo que o estudante já traz consigo. A música é arte de combinar os sons,
uma excelente fonte de trabalho escolar porque, além de ser utilizada como
terapia psíquica para o desenvolvimento cognitivo, é uma forma de transmitir
ideias e informações para os estudantes dentro e fora de sala de aula, no dia a
dia onde quer estejam, a música passa a criar ideias e pode promover
conhecimento aos seus estudantes. O uso de mídias áudio visuais dentro de sala
ajuda a criar novas perspectivas. De conhecimento poderá estimular professores
e estudantes a ter uma ampliação de conhecimentos e novas abordagens e melhoria
na qualidade das aulas de história.
A
mídia auditiva como recurso pedagógico é uma forma de transmitir a cultura para
os estudantes, como forma de ampliar suas origens e abrir novos espaços para
que professores e estudantes possam ter mais conhecimento e um melhoramento
quanto esses tipos de equipamentos e assim possibilitar um universo de
conhecimento e promover entre professores e estudantes valores e aquisição na
vida humana, tanto do professor como dos seus estudantes.
Segundo
(Fiuza 2007) durante os primeiros anos da colonização do Brasil, a música foi
logo percebida pelo padre Manoel da Nobrega, como instrumento privilegiado para
atingir as almas dos Índios. Nobrega, o primeiro provincial – segundo a
hierarquia estabelecida pela Companhia de jesus, normatizada pelo Ratio Studiorum – alertou o padre José
de Anchieta desse artificio, o que prontamente foi por ele assimilado. Basta lembrar os escritos mostrados e
montados por Anchieta, em que se mesclavam diálogos, danças e músicas
executadas pelos Índios, por vezes em sua própria língua. Assim, a música
indígena era redimensionada, passava de um ritual intimamente ligado à vida da
tribo para uma representação simbólica de fé cristã, que, por sinal, não foi
tão assimilada pelos índios, como se sabe.
Segundo
aponta a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) – nº 9.394, de 20 de
dezembro de 1996 torna-se obrigatório o ensino de música no ensino fundamental
e médio. A música é conteúdo optativo na rede de ensino, a cargo do
planejamento pedagógico das secretarias estaduais e municipais de educação. No
ensino geral de artes, a escola pode oferecer artes visuais, música, teatro,
dança. Todas as escolas públicas e particulares do Brasil terão de acrescentar,
no prazo de três anos, mais uma disciplina na grade curricular obrigatória.
Conforme
a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), cada instituição organiza a sua
política pedagógica, exemplo: tal instituição colocará o ensino de música em
sua grade curricular, mais a instituição X não colocará. Pois bem, como foi
estipulado não são obrigadas as instituições de ensino tanto na rede particular
como na rede púbica a inserir música em sua grade curricular. Cabe a cada
instituição optar dentro de sua política curricular aquilo que for melhor para
formação e aprendizagem de seus respectivos estudantes.
Em
1960, projeto de Anísio Teixeira e Dercy Ribeiro para a Universidade de
Brasília (UnB) deu novo impulso ao ensino de música, com a valorização da
experimentação. A ideia era preservar “a inocência criativa das crianças”. Duas
décadas depois, a criação da Associação Brasileira de Educação Musical e da
Associação Brasileira de Pesquisa e pós-graduação em Artes Cênicas (Abrace)
contribuiu para a formação de professores no ensino das linguagens artísticas
em várias universidades, no ensino de música. A experiência direita e a criação
são enfatizadas no processo pedagógico.
A
música como recurso pedagógico em sala de aula, seria, por assim dizer, como
arte de combinar sons e ritmos, seria em determinado momento uma teoria cuja
procura buscar fazer com que estudantes também busquem a quem incluir uma ampla
variedade e pluralidade sonoras, fazendo com que os estudantes tenham, a música
como forma de construção do conhecimento histórico em sala de aula.
A música não é apenas uma combinação de
notas dentro de uma escala, mas também ruídos de passos e bocas, sons
eletrônicos, ou ainda uma vestimenta e gestos do cotidiano de determinados
indivíduos que gostam de um tipo de som. É tudo isso e mais o produto de longas
e incontáveis vivências coletivas e individuais com as experiências de
civilizações diversas ao longo da história. Dessa forma, a música como fenômeno
cultural e social apresenta várias facetas concretas e abstratas que estimulam
diversas representações sobre a linguagem musical e que, necessariamente,
demandam uma integração teórica e metodológica de diferentes áreas do
conhecimento. (DUARTE, 2011, p.209).
Como a Música
Contribui Para a Aprendizagem dos Estudantes
A
música esta presente em nossas vidas o tempo inteiro, assim, pode contribuir
para uma cultura e uma melhor aprendizagem do estudante e por sua vez despertar
um melhor entendimento e transmitir significados para os estudantes, e o
interesse pela música, através das aulas em sala. Isso pode fazer com que
estudantes vejam com outro olhar a forma como o professor ministra suas aulas
utilizando a música como recurso didático para promover a melhor aprendizagem
para os seus estudantes.
A música estimula os estudantes a ter uma
desenvoltura melhor, ou seja, música faz com que estudantes criem novo saberes
para melhor aprendizagem. Pode também ser lida ouvida ou declamada pelo
estudante em alguma citação do livro do qual o estudante estiver manuseando em
sala de aula como nos mostra Adriana Fernandes (2008).
Eu penso que uma atitude em sala de aula
que promovesse mais a experiência musical entendida como expressão cultural
humana e dentro do universo da sensibilidade traria grandes avanços e grandes
mudanças no modo de pensar, fazer e sentir a música. (FERNANDES, 2008, p.86).
A
música pode contribuir com a seguinte questão: fazer com que estes possam
interagir com seus colegas e também com o meio, podendo contribuir assim com a
construção de sua identidade. Revela-se também uma grande importância no
processo de aquisição e ampliação de conhecimentos e promover grandes valores
para uma formação mais humana isto também contribuirá para o enriquecimento de
uma cultura mais sensitiva podendo assim contribuir para melhor formação de uma
identidade mais humana. Também podendo contribuir para o enriquecimento de uma
cultura sensitiva, podendo assim contribuir para melhor formação de uma
identidade mais humana para os estudantes e futuros profissionais.
A
relação música e ensino em sua essência transmite uma mensagem, e dependendo da
música que esta sendo passada em sala poderá levar um sentimento, onde através
dessa, professores e estudantes tendem a identificar informações do quais ambos
não conseguem compreender e sendo assim da mesma forma dos estudantes e os seus
professores, podendo haver uma ligação entre ambas às partes, professor e
estudante.
A partir da década de 1980, a música
podia estar em toda parte: acompanhado privadamente toda atividade possível por
meio dos fones de ouvidos ligados a aparelhos de bolso lançados (como tão
frequentemente) pelos japoneses. (FIUZA, 2007, p. 66).
A
música começou a ser inserida dentro de sala de aula partir da década de 1980,
podendo ser utilizada como forma de culturalização, enriquecedora para os
estudantes, e está vinculada a um tipo de emoção, é dessa forma que faz com que
os estudantes tenham uma aprendizagem mais enaltecedora. Assim o estudante
tende a dar mais valor e prestar atenção nas aulas, fazendo com isso por
diversas formas coloque mais cultura em seu cotidiano. Sendo assim, os
estudantes farão com que seus professores possam também ter uma forma de
conhecimento mais abrangente e enriquecedor para seu currículo docente.
A
música nos proporciona informações que ninguém talvez nem imagine que possa
existir ou existe, por isso, música é importante em nossas vidas e também
importante que se coloque este tipo de mídia auditiva dentro de salas de aulas
para estudantes conheçam um pouco da cultura brasileira através do som que esta
sendo passado. Dessa forma, a música pode auxilia-los a preparar a mente para
que se possa ter outra perspectiva abrindo assim uma nova forma de ver o mundo.
Segundo
Fiuza (2007) outra mensagem que pode vir atrelada à música é aquela trazida
pelo ritmo. Há músicas que impelem as pessoas à dança e nem sempre essa dança
está de acordo com aquilo que o poder considera como ordeiro, como os carnavais
e os charivaris o maxixi, surgido inicialmente como dança, por volta de 1870,
como a primeira grande contribuição das camadas populares do Rio de Janeiro à
Música do Brasil.
A
música em seus diversos ritmos pode influenciar na vida social de todo
estudante e também de seus professores. Como Fiuza coloca, música é aquela
trazida pelo ritmo, quer dizer ritmo todos os tipos e gêneros, é isso que
desperta o interesse dos estudantes poder ter uma opinião própria formadora de
conhecimentos e poder ter uma escolha ou não, fazendo com que os mesmos se
interessem pelo gosto musical facilitado assim sua vida e a vida seus
professores dentro de sala de aula. Música é distração, distrai o trabalho,
distrai o lazer, faz contraponto cego com o que eu vou fazer, papel de parede,
pano de fundo, ponto de fuga acompanhamento em harmônico, agudo, da atividade
viver, em toda parte, uma espécie de cenário, jardim portátil. (FIUZA, 2007, p.
66).
A
música e um recurso facilitador que pode fazer das aulas tornarem-se mais atrativos
e também pode transformar aquela aula como um lazer para os estudantes. Dessa
forma, as aulas podem ser bem mais criativas e lúdicas, e fazer com que os
estudantes possam se soltar e aprender mais e mais com música em sala de aula,
pois, a intenção é procurar fazer com que estudantes tendem a olhar as aulas
com outro olhar e não apenas assisti- lás, compreender e sentir de uma forma
clara. A música por sua vez, tende a passar informações que faz com que seus
estudantes tenham mais interesse pela mesma e queira ver as aulas de outro ângulo
bem didaticamente.
Podemos
vislumbrar aqui dois pontos de discussão quanto a influencia da música em sala
de aula (Fiuza, 2007). O 1º aspecto refere-se ao fato de podermos pensar como
trabalhar com a música como objeto de estudo, como documento nas diferentes
disciplinas. O 2º aspecto, diz respeito a qual seria a relação entre o fundo
sonoro de uma música e o processo de estudo propriamente dito, seja em sala de
aula, seja na residência do estudante. Neste segundo ponto, podemos apontar
alguns dados obtidos pela pesquisa realizada por Chiappini e Citelli (1997),
junto a uns mil estudantes da rede pública e privada da grande São Paulo, em 1993.
Os pesquisadores perceberam que boa
parte dos estudantes fazia lições ou lia ouvindo rádio. Na 3ª série, 9,43%
deles faziam lições com radio ligado; já na 8ª série, eram 16,81%. Para
escrever, na 3ª série eram 3,54%, enquanto na 8ª eram 6,16%. É bem provável que
estes números tenham crescido nestes oito anos; os meios de comunicação
continuam expandindo sua abrangência e seu monopólio. Tal contexto só foi um
pouco abalado pela internet, ainda elitizada pelos altos custos quando
comparada ao rádio e à televisão. Contudo, não temos a dimensão da
interferência exata da música no processo de estudo, o que abre um campo rico
para pesquisas. (FIUZA, 2007, P. 65).
A
educação por sua vez esta ligada a vários módulos educacionais, assim, qualquer
instrumento que procura buscar mais facilidade no ensino dentro de sala de aula
e um desses módulos que a escola ou o que o professor pode estar colocando em
meio às aulas um meio de propor a música como recurso em sala para seus
estudantes uma vez que ela é uma forma de manifestação no dia a dia do ser
humano. A música pode contribuir de variadas formas, quando utilizada dentro de
sala de aula, música tende a passar para os estudantes através de suas letras
uma compreensão do mundo tanto no passado como nos dias atuais. Em certas
situações a música pode ser usada de uma ponte transitória entre professores e
estudantes e ainda, música pode ser vista como uma possibilidade de aspectos
físicos e também sociais podendo estimular e beneficiar, instruir os estudantes
em diversos estilos musicais.
Como
segundo afirma Adriana Fernandes (2008) à experiência musical é necessariamente
uma experiência sensorial física, ou seja, ela é percebida por todo o corpo, e
não apenas pelos ouvidos. Ela pode ser vivenciada de várias formas: dançando,
lembrando, apreciando, imaginando e assim é bastante democrática, pois,
qualquer um pode vivencia lá e, no meu entendimento, esta é a forma mais
adequada de “fixa-la”, ou seja, quando ela é incorporada às vivencias, às
individualidades e identidade do ser humano.
A
meu ver a música passa um gênero cultural no sentido de que através da
linguagem musical possibilite aos estudantes um fundo sonoro do qual possam se
identificar “a canção e o processo de
estudo propriamente dito”. A música é um jeito de passar a cultura de uma forma
que possa fazer com que os estudantes conheçam sua própria cultura transmitida
através de um fundo musical passado em sala de aula. Como foi colocada por um
dos autores acima citados, a música pode ser ouvida, sentida e também cantada,
fazendo assim um registro histórico com a utilização da mesma “as estratégias e
linguagem que se estabelecem a percepção dessas fontes áudio visuais
(fotografia, cinema, música mídias informatizadas)”.
A
música transmite experiência sensitiva e sensorial, observa-se quando você ouve
a música na maioria das vezes seus cabelos do corpo arrepia essa é uma forma de
sentir o poder daquela música e o quanto esta transmitindo a sabedoria e o
quanto você está gostando de transmitir e, principalmente, quando se trata de
alguma música que você goste e fazendo assim com que outras pessoas ouçam
também mesmo os estudantes não querendo isso seria uma forma de manifestação
humana onde você transmite sua música para o outro abrindo assim novos
horizontes e conhecimentos. Assim, você passa a espalhar seu gosto musical para
outras pessoas fazendo com que sua cultura se espalhe por outros lugares. A
contribuição que a música poderá e devera colaborar para a aprendizagem dos
estudantes pode através de diálogos e colocar os estudantes em uma diacronia
que implicará na possibilidade de uma experiencial cultura contribuindo assim
uma ralação com o meio musical.
Acredito
que num futuro próximo, as escolas que por sua vez já estarão adaptadas para
uma forma de ensino bem adequados para que através da música possam contribuir
de uma forma ou de outra para que se possa enriquecer ainda mais as aulas e o
seu próprio conhecimento e também dos estudantes.
Professores
e estudantes, mesmo sem conhecimento técnico, possuem dispositivos emocionais
para dialogar com a música (Duarte, 2011) tais dispositivos, verdadeiras
competências de caráter espontâneos ou científicos, não é apenas resultado da
subjetividade do ouvinte diante da experiência musical, mas também, sofrem a
influência de ambientes socioculturais, valores e expectativas político-ideológicas,
situações especificas de audição, repertórios culturais socialmente dados.
Como
aponta Duarte (2011) professores e estudantes sem um conhecimento prévio
sociocultural, tendem a buscar as objetivas importâncias para fundamentalizar à
música em sala de aula.
Assim
sendo segundo Helena de Freitas, coordenadora-geral de Programas de Apoio à
Formação e Capacitação Docente de Educação Básica, “a Lei não torna obrigatório
o ensino em todos os anos, e é isso que será articulado com os sistemas de ensino
estudantis e municipais”.
Nas
palavras da coordenadora da Educação Básica, Helena de Freitas as escolas não
são obrigadas a promover o ensino de música. Mas, por outro lado seria uma boa
opção colocar músicas nas escolas, pois, poderá colaborar com o ensino e
aprendizagem dos estudantes fazendo com que percebam através da música uma
forma de buscar inovações e adquirir novas experiências com a música.
Segundo
dados mais recentes do Censo da Educação Superior, de 2006, o Brasil tem 42
cursos de licenciaturas em música, que oferecem 1.641 vagas. Em 2006. 327
estudantes formaram-se em música no Brasil.
O
MEC recomenda que além das noções básicas de música, dos cantos cívicos
nacionais e dos sons de instrumentos de orquestra, os estudantes aprendam
cantos, ritmos, danças e sons de instrumentos regionais e folclóricos para
assim, conhecer a diversidade cultural do Brasil.
Podemos
de fato colocar a música dentro de sala de aula como recurso pedagógico será
uma boa opção para melhorar aprendizagem dos estudantes, colocaremos aqui a
seguinte questão qual seria uma melhor forma de propor música dentro de sala de
aula? Conforme colocado por Fiuza (2007) qual a relação entre o fundo sonoro de
uma canção e o processo de estudo propriamente dito.
A
melhor forma para trabalhar música dentro de sala de aula é trazer música do
qual os estudantes estão costumados a ouvir.
Segundo
Adriana Fernandes (2008) se a educação musical estivesse mais pautada em
pesquisas e se propusesse a ousar na formação dos estudantes de modo que estes
pudessem estar mais expostos a uma alteridade expressiva-ou seja, várias formas
de se expressar onde um dos elementos seria o material sonoro, eu penso que
traríamos uma nova realidade para o cenário musical do Brasil e uma nova
mentalidade para os músicos.
A
música tem muito a contribuir, pois, tende a transformar o aprendizado dos
estudantes construindo uma perspectiva podendo assim abrir um novo tipo de
conhecimento uma forma de se descobrir o novo, a música esta ligada nos dias de
hoje a uma nova forma de como estudantes professores assistem televisão
naveguem na internet, na hora de ler livro.
Como
foi colocado por Duarte (2011) com a utilização dessas fontes (fotografia,
cinema, música e mídias informatizadas), no ensino de história, abrem
possibilidade para um amplo campo de pesquisa e reflexão sobre o processo de
construção do conhecimento histórico, que devem ser inserida no contexto de
cultura da instituição escolar.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente artigo teve como finalidade
explicar como utilizar a música como recurso pedagógico dentro de sala de aula bem
como esclarecer como as instituições devem se portar para a utilização da
música dentro de sala de aula. O mesmo tratou buscou informar como podemos
utilizar música inserida no ensino de história, e objetivou também informar
como trabalhar a música entre outras matérias, entrou em discussão como fazer
com que os estudantes busquem aprendizagem através da música que foi passada
pelo professor fazendo com que as aulas sejam mais informativas, possibilitando
assim melhor compreensão entre professores e estudantes. Buscou-se entender
neste artigo como as instituições deverão adaptar-se colocando mais uma
disciplina em sua política curricular por meio da lei de Diretrizes e Bases da
Educação (LDB) institucionalizada em 20 de dezembro de 1996 de nº 9.394. Esse
decreto exige que todas as instituições sejam obrigadas a colocar música como
mais uma disciplina no currículo. O artigo, no entanto, explicou como a música
poderá ajudar professores e estudantes em sala de aula, foram abordados também questões
em relação música e sala de aula, analise feita nesse artigo poderá ampliar a aprendizagem
de estudantes e professores. Colocamos questões do qual estão em discussões
todos os dias para promover músicas dentro das instituições como foi dito ao
longo do artigo, as instituições já estão ou estarão em um futuro próximos e
adaptando para incluir música como mais uma disciplina em sua politicas
pedagógica para que através da música possam abrir novos horizontes e com isso
buscar mais conhecimento para vida toda.
REFERÊNCIAS
FERNANDES, Adriana. Da Necessidade de Experiências
Musicais: Sensibilidades e Sociabilidades perspectivas de pesquisa.
Goiânia, Ed. UCG-2008.
FIUZA, Alexandre Fernandes. Reflexões
sobre o trabalho com a canção na sala de aula. Ensino de Historia e
Educação: Olhares em Convergência. Ponta Grossa: Editora UEPG, 2007.
DUARTE, Milton Joeri Fernandes. “A
música e a construção do conhecimento histórico em aula”. São Paulo:
FEUSP, 2011.
Lei De Diretrizes e Base da Educação (LDB) – nº 9.394, de 20 de dezembro de
1996.
sábado, 30 de agosto de 2014
UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOÍAS
PÓS – GARDUAÇÃO STRITU SENSU
DISCIPLINA: ICONOGRAFIA E IMAGINÁRIO
PROF. DR. ANA LUCIA OLIVEIRA VILELA
ALUNO: JOÃO RAFAEL TATICO BORGES
RESENHA
A PARTILHA DO SENSÍVEL
Referência
RANCIÈRE, Jacques. A
partilha do sensível: estética e política. Tradução: Mônica Costa
Netto. São Paulo: Exo Experimental / Editora 34, 2005.
O conceito de “a partilha do sensível” [partage du sensible] aparece uma
primeira vez para o público brasileiro muito bem explicitado no prefácio de
Jacques Rancière ao seu livro políticas
da escrita, publicado pela editora 34 em 1995, na coleção Trans, dirigida
por Eric Alliez, segundo ele essas
analise consiste numa coletânea de textos inédita na França e, portanto, numa
raridade brasileira. Na bibliografia do autor lê-se (Jacques Rancière 2005).
“Pelo termo de
constituição estética deve-se entender aqui a partilha do sensível que dá forma
à comunidade. Ranciére (2005) Partilha significa
duas coisas: a participação em um conjunto comum e, inversamente, a separação,
a distribuição em quinhões”.
Uma vez que o texto A partilha do sensível[1]
remete explicitamente às análises desenvolvidas neste ultimo livro, estimamos
indispensável alertar para este fato a fim de não comprometer a referência.
Quanto à nossa escolha de reafirmar a tradução inicial, além de apoiar-se na
preferência. Do autor, parece nós satisfatoriamente justificada pela citação
acima.
PRATICA E ESTETICA PRATICA
POLÍTICA
PARTILHA DO SENSÍVEL [COMUM – PARTILHADO [PARTES -
EXCLUSIVAS
O Desentendimento à “Partilha do Sensível”
enquanto cerne da política, e portanto a
uma certa estética da política. Suas questões, também suscitadas por uma
nova reflexão sobre as grandes teorias e experiências vanguardistas de fusão da
arte com a vida, comandam a estrutura do texto que-se vai ler. A pedido de Eric
Hazan e Stéphanie Grégorie. Todavia, essa solicitação particular se inscreve em
um contexto mais geral. A manipulação dos discursos denunciada à crise da arte
ou sua captação fatal pelo discurso, à generalização do espetáculo ou a morte
da imagem são indicações suficientes de que, hoje em dia, é no terreno estético
que prossegue uma batalha ontem centrada nas promessas da emancipação e nas
ilusões e desilusões da história (RANCIÈRE, 2005, p. 11 e 12).
Nas palavras de Rancière
(2005) talvez a trajetória do discurso situacionista saído de um movimento
artístico de van – guarda do pós – guerra, vindo a ser nos anos de 1960 critica
radical da política e, absorvido no comum do discurso desencantado que compõe o
avesso “critico” da ordem existente seja sintomática das idas e vindas
contemporâneas da estética e da política, e das transformações do pensamento
vanguardistas em pensamento nostálgico.
No entanto coloca
Rancière (2005) já dizia os textos Jean – François Lyotard que, portanto,
melhor assinalam a forma como a “estética” pôde torna-se, nos últimos vinte
anos, o lugar privilegiado em que a tradição do pensamento critico se
metarfoseou em pensamento do luto.
A reinterpretação da
análise Kantiana do sublime transpunha para a arte o conceito que Kant havia
situado além da arte, para com isso melhor fazer da arte um testemunho do pensamento – e, a partir dai, um testemunho contra a
arrogância da grande tentativa estético – política do devir – mundo do
pensamento. Assim o pensamento da arte tornava-se onde se prolongava, após
a proclamação do fim das utopias políticas, uma dramaturgia do abismo
originário do pensamento e do desastre de seu não reconhecimento.
Em O Desentendimento (2005)[2] a política é questionada a partir do que o
senhor chama “Partilha do Sensível”. Nesta expressão estariam, no seu modo de
ver, a chave da junção necessária entre práticas estéticas e práticas
políticas.
Segundo denomina
Rancière a Partilha do sensível o sistema de evidências sensíveis que revela,
ao mesmo tempo, a experiência de um comun
e dos recortes que nele definem lugares e partes exclusivas. Essa participação
das partes e dos lugares se funda numa partilha de espaços, tempos e tipos de
atividade que determina propriamente a maneira como um comum se presta à participação e como uns e outros tomam parte
nessa partilha. O cidadão coloca Aristóteles, é quem toma parte no fato de governar e ser governado. Mas uma outra forma
de partilha percebe esse tomar parte: aquela que determina os que tomam parte.
O animal falando diz Aristóteles é um animal político. Mas o escravo se
compreende a linguagem, não “a possui”.
A partilha do sensível
diz Rancière (2005) faz ver quem pode tomar parte no comum em função daquilo
que faz, do tempo e do espaço em que essa atividade se exerce.
Nas palavras de
Benjamin a estética não deve ser entendida no sentido de uma captura perversa
da política por uma vontade de arte, pelo pensamento do povo como obra de arte.
Num sentido
Kantiano – eventualmente revisitado por Foucault – como o sistema das formas a priori determinando o que se da a sentir. É um
recorte dos tempos e dos espaços, do visível e do invisível, da palavra e do
ruído que define ao mesmo tempo o lugar e o que está ruído que define ao mesmo
tempo o lugar e o que está em jogo na política como forma de experiência. A
política ocupa-se do que se vê e do que se pode dizer sobre o que é visto, de
quem tem competência para ver e qualidade para dizer, das propriedades do
espaço e dos possíveis do tempo (RANCIÈRE, 2005, p. 16 e 17).
É a partir dessa
estética primeira que se pode colocar a questão das “Práticas Estéticas”, no sentido em que entendemos, isto é, como
formas de visibilidades das práticas da arte, do lugar que ocupam, do que
“fazem” no que diz respeito ao comum.
As práticas artísticas
são “maneiras de fazer” que intervêm na distribuição geral das maneiras de
fazer e nas suas ralações com maneiras de ser e formas de visibilidade. Antes
de se fundar no conteúdo imoral das fabulas, a procriação platônica dos poetas
funda-se na impossibilidade de se fazer duas coisas ao mesmo tempo.
A questão da ficção é,
antes de tudo, uma questão de distribuição dos lugares. Do ponto de vista
platônico, a cena do teatro, que é simultaneamente espaço de uma atividade
pública e lugar de exibição dos “fantasmas”, embaralha a partilha das identidades,
atividades e espaços. O mesmo ocorre coma a escrita: circulando por toda parte,
sem saber a quem deve ou não falar, a escrita destrói todo o fundamento
legitimo da circulação da palavra, da relação entre os efeitos da palavra e as
posições dos corpos no espaço comum.
Esse modelo embaralha
as regras de correspondências a distancia entre o dizível e o visível, próprias
à logica representativa. Embaralha também a partilha entre as obras da arte
pura e as decorações da arte aplicada. É por isso que teve um papel tão
importante – e geralmente subestimado na transformação radical do paradigma
representativo e nas suas implicações políticas. Penso primeiro em seu papel no
movimento Arts and Crafts e dos seus
derivados (Art Déco, Bauhaus, construtivismo) em que se definiu uma ideia do
mobiliário – no sentido amplo – da nova comunidade, que também inspirou uma
nova ideia da superfície pictural como superfície de uma escrita comum.
O plano[3],
nessa lógica, não se opõe ao “vivo”. É ao ato da palavra “vivo”, conduzido pelo
locutor ao seu destinatário adequando, que se opõe a superfície muda dos signos
pintados. A reprodução da profundidade óptica foi relacionada ao privilegio da história. Participou no renascimento,
da valorização da pintura, da afirmação de sua capacidade da captar um ato de
palavra vivo o momento decisivo de uma ação e de uma significação.
Uma história da
política estética, diz Rancière (2005) entendida nesse sentido, deve levar em
conta a maneira como essas grandes formas se opõem ou se confudem. Penso por
exemplo na maneira como esse paradigma da superfície dos signos/formas se opôs
ou se confundiu ao paradigma pôde assumir, da figuração simbolista da lenda
coletiva ao coro em ato dos novos homens.
A política ai se
representa como relação entre a cena e a sala, significação do corpo do ator,
jogos da proximidade ou da distância. As prosas criticas de Mallarmé colocam
exemplarmente em cena o jogo remissões, oposições e assimilações entre essas
formas, desde o retrato íntimo da pagina ou a coreografia caligráfica até o
novo “oficio” do concreto. Assim, por outro lado, essas formas aparecem como
portadoras de figuras de comunidade iguais a elas mesmas em contextos muito
diferentes. Mas, inversamente, elas são passíveis de remissão a paradigmas
políticos contraditórios. Tomemos o exemplo da cena trágica. Para Platão, ela é
portadora da síndrome democrática ao mesmo tempo em que do poder da ilusão
(RANCIÈRE, 2005, P. 24).
Isolando a mímesis em seu espaço próprio, e
circunscrevendo a tragédia em uma lógica dos gêneros, Aristóteles, mesmo que
não se tenha proposto isso, redefine sua politicidade.
A explicação
benjaminiana pela estetização fatal da política na “era das massas” esquece-se
talvez da ligação muito antiga entre unanimismo cidadão e a exaltação do livre
movimento dos corpos. Na cidade hostil ao teatro e à lei escrita, Platão
recomendava embalar incessantemente as crianças de colo.
O importante é ser
neste nível, do recorre sensível do comum da comunidade, das formas de sua
visibilidade e de sua disposição, que se coloca a questão da relação estética/
política.
A partir dai podem ser
colocadas em questão diversas histórias imaginárias da “modernidade” artística
e dos vãos debates sobre a autonomia da arte ou da submissão política.
As artes nunca
emprestam às manobras de dominação ou de emancipação mais do que lhes podem emprestar,
ou seja, muito simplesmente, o que têm em comum com elas: posições e movimentos
dos corpos, funções da palavra, repartições do visível. E a autonomia de que
podem gozar ou a subversão que podem se atribuir repousam sobre a mesma base.
Algumas
categorias centrais para se pensar a criação artística do século XX
(Rancière 2005) a saber: modernidade,
vanguarda e mais recentemente, pós – modernidade – também têm um sentido
político. Estas categorias parecem – lhes ser de algum interesse para se
conceber em termos precisos o que liga o “estético” ao “político”?
A noção de modernidade
estética recobre, sem lhe atribuir um conceito, a singularidade de um regime
particular das artes, isto é, um tipo especifico de ligação entre modos de
produção das obras ou das praticas, formas de visibilidade dessas praticas e
modos de conceituação destas ou daquelas.
Segundo coloca Platão,
a arte não existe, apenas existem artes, maneiras de fazer. E é entre elas que
ele traça a linha divisória: existem artes verdadeiras, isto é, saberes
fundados na imitação de um modelo com fins definidos, e simulacros de arte que
imitam simples aparências. Essas imitações, diferenciadas quanto à origem, o
são em seguida quanto à destinação: pela maneira como as imagens do poema dão
às crianças e aos espectadores cidadãos uma certa educação e se inscrevem na
partilha das ocupações da cidade. É neste sentido que falo do regime ético das
imagens. Trata-se, nesse regime, de saber no que o modo de ser indivíduos e das
coletividades. E essa impede a “arte” de se individualizar enquanto tal[4].
Do regime ético das
imagens se separa o regime poético – ou representativo – das artes. Este
identifica o fato de arte – ou artes – no par poesis/mimesis. O
principio mimético, no fundo, não é um principio normativo que diz que a arte
deve fazer cópias parecidas com seus modelos. É, antes, um principio pragmático
que isola, no domínio geral das artes (das maneiras de fazer), certas artes
particulares que executam coisas especificas, a saber, imitações.
Tais imitações
não se enquadram nem na verificação habitual dos produtos das artes por meio de
seu uso, nem na legislação aristotélica da mimesis
e pelo privilegio dado à ação trágica. É o feito
do poema, a fabricação de uma intriga que orquestra ações representadas homens
agindo, que importa, em detrimento do ser
da imagem, cópia interrogada sobre seu modelo. Tal é o principio da mudança de
função do modelo dramático de que falava acima. O princípio externa de um
domínio consistente de imitações é, portanto, ao mesmo tempo, um principio
normativo de inclusão (RANCIÈRE, 2005, p. 30 e 31).
Ele se desenvolve em
formas de normatividade que definem as condições segundo as quais as imitações
podem ser reconhecidas como pertencendo propriamente a uma arte e adequadas
como pertencendo propriamente a uma arte e apreciadas, nos limites dessa arte,
como boas ou ruins, adequadas ou inadequadas: separação do representável e do
irrepresentável, distinção de gêneros, logos, aos temas representados,
distribuição das semelhanças segundo princípios de verossimilhança, convivência
ou correspondência, critérios de distinção e de comparação entre as artes etc.
[1] “Uma Partilha Do Sensível é, portanto, o modo como se
determina no sensível a relação entre um conjunto comum partilhado e a divisão de partes exclusivas”
(RANCIÈRE, 2005, P. 07).
[2]
RANCIÈRE, Jacques. O Desentendimento: política e filosofia, tradução
de Ângela Leite Lopes, São Paulo, Editora 34, 1996, coleção Trans.
[3] “Le Plat” (o plano) N. DA T.
[4] Esse “fato”, na realidade, é
apenas o ajustamento problemático de dois esquemas de transformação: o esquema
historicista da “secularização do sagrado” e o esquema econômico da transformação
do valor de uso de troca.
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