UNIVERSÍDADE FEDERAL DE GOÍAS
PÓS – GRADUAÇÃO STRITU – SENSU
DISCIPLINA: IDENTIDADE E NARRATIVAS
PROF. Dr. CARLOS OITI
ALUNO: JOÃO RAFAEL TATICO BOGES
Bibliografia
BAUMAN,
Zygmunt. Identidade. Tradução de Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro:
Jorge Zahar Editor, 2005.
RAFAEL,
João. Os acordos Brasil e EUA. Cooperação econômica estratégica
militar. Monografia,
(1937
- 1942), 2013.
IDENTIDADE
A Grã – Bretanha o pais
que escolhi e pelo qual foi escolhido (Bauman, 2005), por meio de uma oferta
para lecionar, já que não poderia permanecer na Polônia, pais em que nasci,
pois tinham me tirado o direito de ensinar. Mas lá, na Grã – Bretanha, eu era uma
estrangeiro, um recém – chegado – não fazia muito tempo, um refugiado de outro
país, um estranho. Depois disso naturalizei-me britânico, mas uma vez recém –
chegado, será possível abandonar essa condição algum dia? Eu tinha a intenção
de que me confundissem com um inglês, e meus alunos e colegas jamais tiveram
dúvidas de que eu era um estrangeiro, mais exatamente um polonês. Esse tácito
“acordo de cavaleiros” impediu que a nossa relação viesse a se exacerbar – pelo
contrario, fez com que fosse uma relação honesta, tranquila e, no geral, transparente e amigável. Então, talvez
devessem tocar o hino polonês? Mas isso também significaria um ato de
fingimento: trinta e tantos anos antes da cerimonia de Praga eu tinha sido
privado de minha cidadania polonesa. Minha exclusão foi oficial, promovida e
confirmada pelo poder habilitario e a se parar a quem esta “dentro” de quem
esta “fora”, quem faz parte de quem não faz – assim eu não tinha mais direito
ao hino nacional polonês...
Segundo Bauman (2005), a
“cisão indenitária”. Tirava da pauta uma identidade definida em termos de
nacionalidade – o tipo de identidade que me foi negado e tornado inacessível. “alle Menschen werden brüde”... A imagem
da “fraternidade”.
Eu cito um pequeno
episodio porque este reúne, resumidamente, a maioria dos dilemas inquietantes e
das escolhas obsedantes que tendem a fazer da “identidade” um tema de graves
preocupações e agitadas controvérsias. As pessoas em busca de identidade se veem
invariavelmente diante da tarefa intimidadora de “alcançar o impossível”: essa
expressão genérica implica, como se sabe, tarefas que não podem ser realizadas
no “tempo real”, mas que serão presumivelmente realizadas na plenitude do tempo
– na infinidade...
É comum afirmar que as
“comunidades” (as quais as identidades se referem como sendo as entidades que
as definem) são de dois tipos. Existem comunidades de vida e de destino, cujos
membros (segundo a formula de Siegfried Kracauer) “vivem juntos numa ligação
absoluta”, e outras que são “fundidas unicamente por ideias ou por uma
variedade de princípios”. Dos dois tipos, o primeiro me foi negado – tal como
foi e será para o número cada vez maior de meus contemporâneos. Se não tivesse
sido negado, dificilmente lhe ocorreria indagar-me sobre a minha identidade. E
se você indagasse, eu não saberia que espécie de respostas você esperaria de
mim.
A questão da
identidade só surge com a exposição a “comunidades” da segunda categoria – e
apenas porque existe mais de uma ideia para evocar e manter unida a “comunidade
fundida por ideias” a que se exposto em nosso mundo de diversidades e
policultural. É porque existem tantas dessas ideias e princípios em torno dos
quais se desenvolvem essas “comunidades de indivíduos que acreditam” que é
preciso comparar, fazer escolhas, fazê – lás repetidamente, reconsiderar
escolhas já feitas em outras ocasiões, tentar conciliar demandas contraditórias
e frequentemente incompatíveis (BAUMAN, 2005, p. 17).
Julian Tuwim, o grande
poeta polonês de ascendência judaica, ficou conhecido por enfatizar que odiar
mais os antissemitas poloneses do que os de qualquer outro país era a maior
prova de seu poloneismo (suponho que minha judaicidade seja confirmada pelo fato
de que as atrocidades cometidas por Israel me são mais dolorosas do que as
perpetradas por outros países). Tornamo – nos consciente de que o
“pertencimento” e a “identidade” não tem a solidez de uma rocha, não são
garantidos para a toda a vida, são bastante negociáveis e revogáveis, de que as
decisões que o próprio individuo toma, os caminhos que percorre, a maneira como
age – a determinação de se manter firmes a tudo isso – são fatores cruciais tanto
para o “pertencimento” quanto para a “identidade”.
A ideia de “ter uma identidade”
segundo Bauman (2005), não vai ocorrer às pessoas enquanto o “pertencimento”
continuar sendo o seu destino, uma condição sem alternativa. Só começarão a ter
essa ideia na forma de uma de uma tarefa a ser realizada, e realizada vezes e
vezes sem conta, e não de uma só tacada.
Não me recordo de dar
muita atenção à questão de minha “identidade”, pelo menos do ponto de vista da
nacionalidade, antes do brutal despertar de março de 1968, quando o meu
poloneismo foi publicamente posto em dúvida. Imagino que ate então eu não
esperava, prosaicamente, e sem qualquer ansiedade ou astúcia, aposentar-me por
tempo de serviço na Universidade de Varsóvia e ser enterrado, chegada a hora,
num cemitério da cidade. Mas, desde março de 1968, o que todos esperavam de
mim, e ainda esperam, é que eu me autodefina e que eu tenha uma visão
ponderada, cuidadosamente equilibrada e ardentemente defendida da minha identidade.
Por quê? Por que, uma vez tendo sido obrigado a me mudar, expulso de algum
lugar que pudesse passar pelo meu “habitat
natural”, não haveria em espaço a que pudessem considerar-me ajustado, como
dizem, cem por cento. Em todo e qualquer lugar eu estava algumas vezes
ligeiramente, outras ostensivamente – “deslocado”.
Aconteceu que entre os
vários problemas conhecidos como “minha identidade”, a nacionalidade ganhou uma
proeminência particular. Eu compartilho essa sorte com milhões de refugiados e
migrantes que o nosso mundo em rápido processo de globalização produz em escala
bastante acelerada. Mas a descoberta de que a identidade e um monte de
problemas, e não uma campanha de tema único é uma aspecto que compartilho com
um número muito maior de pessoas, praticamente com todos os homens e mulheres
da nossa era “liquido - moderna”.
As peculiaridades da
minha biografia dramatizam e colocam em pleno destaque um tipo de condição que
hoje em dia é bastante comum, a caminho de se tornar quase universal. Em nossa
época liquido – moderna, o mundo em nossa volta está repartido em fragmentos
mal coordenados, enquanto as nossas existências individuais são fatiadas numa
sucessão de episódios fragilmente conectados. Poucos de nós, se é que alguém, são
capazes de evitar a passagem por mais de uma “comunidade de ideias e
princípios”, sejam genuínas ou supostas bem – integradas ou efêmeras, de modo
que a maioria tem problemas em resolver (par usar os termos cunhados por Paul
Ricoeur) a questão da la mente a
consistência e continuidade de nossa identidade com o passar do tempo).
Poucos de nós, se é que
alguém, são exposto a apenas uma “comunidade de ideias e princípios” de cada
vez, de modo que a maioria tem problemas semelhantes com a questão da I’ipséite (a coerência daquilo que nos
distingue como pessoas, o que quer que seja). Segundo a Agnes Heller minha
amiga e colega de trabalho questionou-se que sendo mulher, húngara, judia,
norte – americana e filosofa, estava sobrecarregada de identidades de mais para
uma só pessoa. Ora, seria fácil para ela ampliar a lista, mas os arcabouços de
referência por elas citados já são suficientemente numerosos para demonstrar a
impressionante complexidade da tarefa.
As “identidades”
flutuam no ar, algumas de nossa própria escolha, mas outras infladas e lançadas
pelas pessoas em nossa volta, e é preciso estar em alerta constante para
defender as primeiras em relação às últimas. Há uma ampla probabilidade
desentendimento, e o resultado da negociação permanece eternamente pendente.
Quanto mais praticamos e dominamos as difíceis habilidades necessárias para
enfrentar essa condição reconhecidamente ambivalente, menos agudas e dolorosas
as arestas ásperas parecem, menos grandiosos os desafios e menos irritantes os
efeitos. Pode-se até começar a sentir-se chez
soi[1].
Pode-se reclamar de todos esses desconfortos e, em desespero buscar a redenção,
ou pelo menos o descanso, num sonho de pertencimento. Mas também se pode fazer,
desse fato de não ter escolha uma vocação, uma missão, um destino conscientemente
escolhido – ainda mais pelos benefícios que tal decisão pode trazer para os que
a tomam ou a levam a cabo, e pelos prováveis benefícios que estes podem então
oferecer a outras pessoas.
Segundo
BENEDETTO VECCHI Na imaginação sociológica, a identidade é sempre algo muito
evasivo e escorregadio, quase uma priori, ou seja, uma realidade preexistente.
Por exemplo, para Émile Durk Heim,
as identidades coletivas sempre permanecem como pano de fundo, mas não há
duvida de que, em seu livro mais famoso, A
divisão social do trabalho, essa divisão é um elemento contraditório. Por
um lado, ela coloca em risco os vínculos sociais, mas ao mesmo tempo atua como
fator de estabilização na transição para a criação de uma ordem social.
Entretanto, em seu arcabouço analítico, a identidade deve ser considerada um
objetivo, um proposito, em vez de um fator predefinido. Qual sua opinião?
Minha opinião é igual à
sua... Sim, de fato, a “identidade” só nos é revelada como algo a ser
inventado, e não descoberto; como alvo de um esforço, “um objetivo”; como uma
coisa que ainda se precisa construir a partir do zero ou escolher entre
alternativas e então lutar por ela e protegê – La lutando ainda mais – mesmo
que, para que essa luta seja vitoriosa, a verdade sobre a condição precária e
eternamente inconclusa da identidade deva ser, e tenda a ser, suprimida e
laboriosamente oculta.
A “identidade”
não se destacava em meio a essas preocupações. Suponho que, caso tivessem
dirigido os seus ouvidos – finalmente sintonizados com os grandes problemas do
seu tempo, quaisquer que fossem – para o nosso tipo de sociedade, que estava
para nascer quase um século mais tarde, teriam considerado a súbita
centralidade do “problema da identidade”, tanto nos debates intelectuais quanto
na consciência comum, um dilema sociológico dos mais intrigantes (BAUMAN, 2005,
p. 22).
É realmente um dilema e
um desafio para a sociologia – se você se lembrar de que, há apenas algumas
décadas, a “identidade” não estava nem perto do centro do nosso debate, permanecendo
unicamente um objetivo de meditação filosófica. Atualmente, no entanto, a
“identidade” é o “papo do momento”, um assunto de extrema importância e em
evidência.
Esse súbito fascínio
pela identidade, e não ela mesma, é que atrairia a atenção dos clássicos da
sociologia, caso tivessem vivido o suficiente para confronta - lo. É provável
que conseguissem uma pista com Martin Heidegger (mas não estavam mais entre nós
quando ela foi oferecida): você só tende a perceber as coisas e coloca – las no
foco do seu olhar perscrutador e de sua contemplação quando elas se desvanecem,
fracassam, começam a se comportar estranhamente ou decepcionam de alguma forma.
Segundo Bauman (2005)
pouco antes de a última Guerra Mundial irromper, realizou-se um censo na minha
Polônia natal, então uma sociedade multiétnica. Certas partes do país eram
habitadas por uma inusitada mistura de grupos étnicos, créditos religiosos,
língua e costumes.
Os acordos
Brasil e EUA. Cooperação econômica estratégica militar (1937 - 1942)
Durante o inicio de
fevereiro de 1940 e o segundo semestre de 1941, foram formulados os vínculos
Brasil e Estados Unidos. Assim. Sendo, foi feito o acordo Brasil e EUA e com os
sucessos das negociações estratégicas e militares, concomitantemente aos acordos
realizou-se a III reunião de Consulta dos Ministros das Relações das Repúblicas
Americanas, o então ministro das relações exteriores do Brasil, Souza Costa,
por sua vez viaja para os Estados Unidos com a finalidade de discutir uma série
de fatores pendentes e importantes para assim selar a aliança entre Brasil e os
EUA.
O sucesso das
negociações econômicas e militares gerou bens políticos e foram vantajosos para
Washington. Esse conjunto de acordos brasileiro-americano, passou a ser
chamados de acordo de Washington. E Durante esse período, os acordos se
originara nas decisivas mudanças da posição que o Brasil tomara diante da
Guerra e, também, particularmente da Alemanha.
Segundo presidente
Vargas essas negociações eram vitais. A pretensão varguista era de obter do
governo norte americano armamentos e créditos, bem como a ampliação de mercados
para as exportações brasileiras e, principalmente recursos para o
desenvolvimento industrial. Os acordos qual ratificariam com sucesso da
política de aproximação com os EUA o Brasil pode enfim assumir, sua posição no
conflito com países do Eixo.
Segundo Seitenfus
(2003). As negociações brasileiro-americanas apresentavam várias dificuldades.
Inexistiu um plano objetivo e detalhado. Por parte do Brasil. Que fosse conduzido
por negociadores com mandato definido.
O Brasil por sua vez se
encontrava em vulnerável situação, particularmente quanto a seu preparo bélico.
E, Vargas não se sentindo seguro quanto ao rumo que dera à política externa
brasileira.
O governo brasileiro nutria
dúvidas quanto à disposição do governo Roosevelt no auxilio em termos
econômicos e militares. Vargas então passa um comunicado a Souza Costa que
dizia ter desconfiança quanto ao prazo de entrega dos materiais bélicos. O que
definiria, segundo o presidente se valeria ou não a pena o abraço com os
Estados Unidos, pois a desconfiança do governo brasileiro era fundamentada
pelas dificuldades do Ministro das Relações Exteriores Souza Costa quando das
negociações com os EUA.
Vargas esperava
que Souza Costa conseguisse resolver vários pontos em aberto nas relações entre
os dois países e garantir um fluxo de fortalecimento de produtos
norte-americanos vitais para a economia brasileira. Souza Costa centrou as
discussões nas questões relativas ao fornecimento de equipamento militar para
as Forças Armadas brasileiras, a obtenção de créditos, ao fornecimento de
equipamento de equipamentos para vários setores econômicos e à possibilidade de
expandir as exportações de borracha, minério de ferro, algodão, tungstênio, níquel,
e cobalto (CORSI, 2000, p. 196).
Ao que parece, o
problema dos equipamentos militares bélicos é uma das questões mais importantes
do governo brasileiro, pois boa parte do comunicado de Vargas a Souza Costa o
mês de fevereiro tratavam desse assunto.
Vargas já se dizia
entediado quanto às pressões das forças armadas. Assim, o governo brasileiro
estava reluzente quanto à posição norte-americana e também com a falta de
resultados concretos diante de tantos problemas, ainda sofria também com as
pressões da Argentina.
No entanto Getúlio
Vargas alertou por diversas vezes o ministro Souza Costa quanto o perigo que a
Argentina representava. Assim, o comunicado do governo informava de que o
vizinho Sul americano aumentara seu efetivo exército e com isso, a situação
exigia também o gerenciamento de fronteiras brasileiras e também na região do
rio Uruguai, sendo necessário substituir a polícia de estado pelo exército.
A intenção de Getúlio
Vargas era que essa informação chegasse até o governo Roosevelt, com a intensão
fazer com que o governo americano colaborasse com sua proposta de
fortalecimento das efetivas e nítidas armas brasileiras através do governo.
Porém, a essa altura as negociações não vinham de modo algum correspondendo às
devidas expectativas e necessidades das forças armadas brasileiras.
Segundo coloca Corsi
(2000), a delegação brasileira também procurou utilizar-se de um argumento mais
consistente, segundo o qual um fracasso da missão acabaria fortalecendo a
posição do Chile e da Argentina.
Porém tais pressões, no
entanto, eram duvidosas para os estrategistas dos EUA, que por sua vez passaram
a ter uma maior preocupação com o Brasil quanto a sua defesa e também de um
possível ataque nazista contra a região do Nordeste e a não ameaça de região
Sul, que por sua vez esta seria a região de maior preocupação das forças
militares brasileiras.
Vargas insistia muito
quanto ao assunto da supremacia brasileira de nossos vizinhos argentinos, neste
sentido, que por sua vez, o Brasil tinha uma política de alinhamento com os
Estado Unidos e insistia no fortalecimento de armas por parte dos norte –
americanos, considerava fundamental o apoio norte- americano para que forças
armadas do Brasil tivessem uma grande vantagens sobre as forças armadas
argentinas.
No entanto o governo
norte-americano questionava, reafirmando que o pedido Brasileiro seria atendido
e que o governo Vargas deveria passar uma lista de materiais bélicos, os quais
os Estados Unidos estariam enviando de imediato. Estas encomendas eram consideradas pelo
governo de essencial importância.
A posição dos
Estados Unidos quanto a um eventual armamento brasileiro, e latino-americano em
geral, é ambígua e desconfortável. Washington mantém duas atitudes
contraditórias. A primeira consiste em manter a América Latina distante da
corrida armamentista. Se as vantagens dessa hipótese são evidentes, seus
inconvenientes também o são, pois é incompreensível que os Estados Unidos, a o
mesmo tempo que apregoam a necessidade de uma defesa coletiva continental,
recusem-se a conceder aos países Latino- americanos os meios técnicos e
financeiros para concretizá-la. A segunda possibilidade que se oferece aos
Estados Unidos é a de continuar sua política restritiva, correndo o risco, no
entanto, de levar a América Latina a buscar outros fornecedores, em especial os
países do Eixo (SEITENFUS, 2003, p. 186).
Segundo a citação
demonstra o quanto os Estados Unidos estava preocupados com a América Latina,
no que diz respeito à concessão de materiais bélicos a serem enviados. Porém,
em geral, aos olhos de Washington essa questão era ambígua e desconfortante,
pois de um lado os Estados Unidos queria manter a América Latina fora da
corrida armamentista, mais por outro lado tinha o receio de perder a sua
parceria com a América Latina para os países do Eixo.
Por sua vez a América
Latina facilitaria as coisas para os Estados Unidos, visando obter uma maior
quantidade de materiais bélicos passando a empenhar-se o menos possível nos
projetos de defesa continental.
Sendo assim, a posição
defendida pelo Rio de Janeiro passou a ser particular, pois no que diz respeito
à cessão bases de militar para a defesa continental, o Brasil exigiria um
tratamento um tanto quanto especial, por conta dos compromissos inseridos na
conferencia dos países pan - americanas e de olho também nas intenções norte-
americanas.
Souza Costa tentou
melhorar a proposta dos Estados Unidos, com o Brasil. Pois apesar de ter
conseguido firmar as negociações armamentista, no que ficou bastante evidente
em no dia 21 de fevereiro em um telegrama de Vargas a Souza Costa, nos quais o
presidente concorda com a lista de materiais a ser recebida. Por tanto.
Em fins de fevereiro de
1941 as negociações entre Brasil e EUA chegam a um significativo acordo quanto
ao fornecimento de equipamentos de materiais bélicos. Com base na lei de
empréstimos e arrendamentos firmado entre os dois países, o governo desembolsou
um montante de 100 milhões de dólares que o Brasil poderia gastar. O acordo de
outubro de 1941 passou esse montante de 200 milhões de dólares. Assim, mediante
a essas compras, o pagamento efetivamente restringia-se em 35% do material
recebido.
Foi sancionado também
um esquema de entrega de material entre Brasil e os Estados Unidos.
Porém, esse acordo
entre Brasil e Estados Unidos teve uma significativa melhora em relação aos
ganhos militares brasileiros. Entretanto, as relações foram marcadas pelas
desconfianças mútuas. Em maio de 1942
foi assinado outro acordo de militar entre os dois países, com ele uma comissão
conjunta dos dois países ficaria responsável e encarregada por organizar a
defesa do Nordeste brasileiro.
Em vista disso o
fornecimento de armamentos para os militares brasileiros possibilitou uma
melhoria das forças armadas brasileiras. No entanto, até aquele momento, por
causa da carência de divisas que estendeu-se por toda a década de 1930, colocava-se em questão
a ideia segundo o qual o fortalecimento
militar do Brasil seria uma forma de assegurar sobretudo o interesse a política
nacional seguida pelo governo de maneira mais clara desde meados de 1937. Segundo Seitenfus
(2003), o chefe de Estado Maior do Exercito dos Estados Unidos, George C.
Marshall, visitou o Brasil em maio de 1939 a fim de discutir os detalhes da
defesa do Nordeste, o objetivo de Marshall era convencer Góes Monteiro de
reforçar as guarnições do Nordeste.
As negociações
caminharam mais próximas do que se esperava o governo brasileiro e assim Souza
Costa parecia ter adotado uma posição mais incisiva nessas negociações.
Os acordos
econômico-financeiros e as questões econômico-financeiras, no entanto,
sofreriam com hostilidades da Europa.
Esses acordos econômicos são vistos por diferentes ângulos, levantou-se
à questão dos atrasados (divida externa) brasileiras, durante todo o ano de
1939 e inicio de 1940 estabilizam-se contatos em vistas a determinar
modalidades que seriam uma forma de tentativa de retomado o pagamento dos
atrasados (divida externa) brasileiras.
A segunda parte dos
acordos provocou reações econômicas bastante significativas e isso se
justificaria pela formidável progressão de intercambio comercial entre os
países fazendo crescer em particular as importações brasileiras. Em vista disso
a diplomacia de Washington pode considerar-se duplamente satisfeita, para
tanto, além de incrementar o seu comércio em território sul americano por sua
vez Washington fez uma quebra nos acordos germano-brasileiras refletindo também
nas exportações do Rio de Janeiro para Londres.
Na terceira parte foi
importante para o Brasil, pois trata-se de uma cooperação econômica que deve
ser elaborado entre os dois países. Assim quando da missão Aranha a Washington
no inicio de 1939 foram tomadas decisões importantes, embora nenhuma se referia diretamente a questão
da imediata cooperação econômica.
A questão da
implementação de uma siderúrgica ocupa uma posição central, pois dependia-se
dela para que a industrialização do país. Se efetivasse.
A partir dai a
siderúrgica condiciona a política externa brasileira e também a parte em
especial as relações com Washington.
Segundo Seitenfus
(2003), Getúlio Vargas fez dela um ponto capital e constante em todos os seus
projetos governamentais. O governo Vargas, dividido em muitos aspectos, une-se
em torno da questão siderúrgica, que devolve à equipe governamental uma
aparência de coesão.
Os Estados Unidos para
atingir seus objetivos de grande potência procurava redobrar seus esforços para
fazer com que a neutralidade, sob a influência alemã e também as eventuais
rebeldias dos governos nacionalistas da América Latina, não refletisse a sua
hegemonia.
Em 1938 com a Política
de Boa Vizinhança, intensificam-se as relações continentais. O Brasil foi o
alvo estratégico dessa política qual se empenhava para atrair o país, pois os
americanos temia a instauração de uma ditadura nacionalista, pois aparentemente
aproximava-se em termos ideológicos da Itália fascista.
Segundo Corsi, “em face
do ameaçador desafio nazista, os Estados Unidos concentraram seus esforços para
cerrar as fileiras hemisféricas”. (CORSI, 2000. p.92)
Diante disso o Estado
Novo passa a decretar a moratória da dívida externa e, com isso, pode
estabelecer uma política cambial restritiva e também pode aprofundar a
legislação que, feriu drasticamente os Estados Unidos. Isso gerou certa desconfiança entre o
empresariado e também o governo Roosevelt, porém à possibilidade de
radicalização desse nacionalismo e também de uma vinculação com a Alemanha,
induzia a aproximação entre os dois países.
Segundo Corsi (2000) a
situação era preocupante pelo fato do comercio brasileiro não ter deixado de
crescer no período.
A repercussão do golpe
de 1937 teve uma negatividade nos EUA. O diplomata Oswaldo Aranha em telegrama
ao ministro das Relações Exteriores dizia da repercussão do golpe na imprensa
norte-americana e coloca.
O governo brasileiro
fracassou quando da locação dos contra torpedos US, com isso Vargas deixou a
Marinha de Guerra desamparada, e insistindo no fortalecimento das aeronaves,
com bens utilizando para isso os equipamentos obsoletos.
Segundo coloca Corsi
(2000), a extensa pauta de negociações: o fornecimento de equipamentos
militares; o plano de cooperação econômica em larga escala; e projetos de
defesa continental, implicava um dificuldades e na concretização dos acordos.
O Brasil, no entanto,
em suas perspectivas se mostra muito difuso quanto à virtude de amplas
necessidades de suas forças armadas, pois o Chefe do Estado Maior, Góes
Monteiro foi aos EUA em meados de julho de 1939, para definir as negociações de
fornecimento de um sistema antiaéreo. Contudo o Brasil estaria de fato em sua
perspectiva de se reestruturar seu exercito e também fazer com que cresça suas
Forças Armadas com a queda da França em meados de 1940, o que estimulou ainda
mais a política externa norte-americana para que o Brasil assumisse uma postura
explicita diante do Eixo. Em agosto do mesmo ano cinquenta aviões
contratorpedeiros foram enviados para a Inglaterra a intensão diante como
pagamento do empréstimo de bases navais e, em meados de março um ano pós os
empréstimos de bases navais, foi aprovada uma lei que atendeu pelo nome lei
delend-lease, que autoriza as entregas de material bélico aos britânicos e
também repassou os mesmos à URSS.
O governo Vargas
parecia ciente das tendências da política externa norte-americana. Em julho de
1941, encontra-se no diário de Vargas a seguinte nota a respeito de uma
mensagem de Roosevelt, na qual este convida o Brasil a participar,
conjuntamente com os EUA, da ocupação militar da Guiana Holandesa, de Cabo
Verde e de Açores: “recebi depois o embaixador americano, Caffery que me
entregou uma curiosa mensagem do presidente Roosenvelt, que era no fundo um
convite de colaboração para a guerra contra a Alemanha”. Alguns meses depois,
escrevia: “os americanos querem nos atrasar à guerra na Europa sob o pretexto
de defesa da América” (CORSI, 2000, p. 166).
Segundo nos mostra a
citação a cima em meados de julho de 1941, quando o governo Roosevelt deixa
explicitamente a sua e estratégia, onde os EUA convida o Brasil para a ocupação
da guerra na Guiana Holandesa. No entanto, o governo Vargas retorna o
comunicado do governo norte-americano dizendo que os norte-americanos utilizam
da guerra na Europa como pretexto para ampliar a sua presença continental. Os
meses que se seguiam, no entanto, contaram com os EUA que de fato continuaram
envolvendo-se crescentemente na guerra. Assim, em meados de 1941 foi realizado
um encontro que reuniu o presidente norte-americano Franklin D. Roosenvelt e o
primeiro ministro britânico Wilson Churchill, resultando dai na carta do
Atlântico. A reunião teve por seu objetivo estabelecer os pontos básicos da
aliança entre os EUA e a Grã-Bretanha, resultando assim um tratado entre os
países, no qual norteariam as posições dos Estados Unidos e inglesa em Potsdam
entre na política de contenção à Alemanha.
Segundo coloca Corsi
(2000) ao mesmo tempo os EUA decidiam não renovar o tratado de comercio com o
Japão, em virtude da política expansionista dos japoneses na Ásia.
Neste contexto, as
perspectivas do Brasil quanto aos acordos com os norte-americanos seriam uma
forma de intensificação do governo Roosevelt para ampliar sua política e influência
continental, visando à aproximação com a América do Sul. Essa aproximação se deu justamente quando, no
mesmo momento, os países da América do Sul passavam de dificuldade em ralação
ao comércio exterior, com a perda de boa parte dos mercados da Europa
continental.
A possibilidade da crise da redução das
exportações afetar a América do Sul não o preocupava o governo Roosevelt. Os
EUA por sua vez aumentavam o seu foco de interesse em matérias-primas
exportadas pela América do Sul, mas também se preocupava com a instabilidade
política e econômica continental.
[1] (“Em casa”) em qual quer lugar – mas o preço a
ser pago é a aceitação de que em lugar algum se vai estar total e plenamente em
casa.
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