sábado, 30 de agosto de 2014

UNIVERSÍDADE FEDERAL DE GOÍAS
PÓS – GRADUAÇÃO STRITU – SENSU
DISCIPLINA: IDENTIDADE E NARRATIVAS
PROF. Dr. CARLOS OITI
ALUNO: JOÃO RAFAEL TATICO BOGES

Bibliografia
BAUMAN, Zygmunt. Identidade. Tradução de Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2005.

RAFAEL, João. Os acordos Brasil e EUA. Cooperação econômica estratégica militar. Monografia,
(1937 - 1942), 2013.


IDENTIDADE

A Grã – Bretanha o pais que escolhi e pelo qual foi escolhido (Bauman, 2005), por meio de uma oferta para lecionar, já que não poderia permanecer na Polônia, pais em que nasci, pois tinham me tirado o direito de ensinar. Mas lá, na Grã – Bretanha, eu era uma estrangeiro, um recém – chegado – não fazia muito tempo, um refugiado de outro país, um estranho. Depois disso naturalizei-me britânico, mas uma vez recém – chegado, será possível abandonar essa condição algum dia? Eu tinha a intenção de que me confundissem com um inglês, e meus alunos e colegas jamais tiveram dúvidas de que eu era um estrangeiro, mais exatamente um polonês. Esse tácito “acordo de cavaleiros” impediu que a nossa relação viesse a se exacerbar – pelo contrario, fez com que fosse uma relação honesta, tranquila e, no  geral, transparente e amigável. Então, talvez devessem tocar o hino polonês? Mas isso também significaria um ato de fingimento: trinta e tantos anos antes da cerimonia de Praga eu tinha sido privado de minha cidadania polonesa. Minha exclusão foi oficial, promovida e confirmada pelo poder habilitario e a se parar a quem esta “dentro” de quem esta “fora”, quem faz parte de quem não faz – assim eu não tinha mais direito ao hino nacional polonês...
Segundo Bauman (2005), a “cisão indenitária”. Tirava da pauta uma identidade definida em termos de nacionalidade – o tipo de identidade que me foi negado e tornado inacessível. “alle Menschen werden brüde”... A imagem da “fraternidade”. 
Eu cito um pequeno episodio porque este reúne, resumidamente, a maioria dos dilemas inquietantes e das escolhas obsedantes que tendem a fazer da “identidade” um tema de graves preocupações e agitadas controvérsias. As pessoas em busca de identidade se veem invariavelmente diante da tarefa intimidadora de “alcançar o impossível”: essa expressão genérica implica, como se sabe, tarefas que não podem ser realizadas no “tempo real”, mas que serão presumivelmente realizadas na plenitude do tempo – na infinidade...
É comum afirmar que as “comunidades” (as quais as identidades se referem como sendo as entidades que as definem) são de dois tipos. Existem comunidades de vida e de destino, cujos membros (segundo a formula de Siegfried Kracauer) “vivem juntos numa ligação absoluta”, e outras que são “fundidas unicamente por ideias ou por uma variedade de princípios”. Dos dois tipos, o primeiro me foi negado – tal como foi e será para o número cada vez maior de meus contemporâneos. Se não tivesse sido negado, dificilmente lhe ocorreria indagar-me sobre a minha identidade. E se você indagasse, eu não saberia que espécie de respostas você esperaria de mim.
A questão da identidade só surge com a exposição a “comunidades” da segunda categoria – e apenas porque existe mais de uma ideia para evocar e manter unida a “comunidade fundida por ideias” a que se exposto em nosso mundo de diversidades e policultural. É porque existem tantas dessas ideias e princípios em torno dos quais se desenvolvem essas “comunidades de indivíduos que acreditam” que é preciso comparar, fazer escolhas, fazê – lás repetidamente, reconsiderar escolhas já feitas em outras ocasiões, tentar conciliar demandas contraditórias e frequentemente incompatíveis (BAUMAN, 2005, p. 17).

Julian Tuwim, o grande poeta polonês de ascendência judaica, ficou conhecido por enfatizar que odiar mais os antissemitas poloneses do que os de qualquer outro país era a maior prova de seu poloneismo (suponho que minha judaicidade seja confirmada pelo fato de que as atrocidades cometidas por Israel me são mais dolorosas do que as perpetradas por outros países). Tornamo – nos consciente de que o “pertencimento” e a “identidade” não tem a solidez de uma rocha, não são garantidos para a toda a vida, são bastante negociáveis e revogáveis, de que as decisões que o próprio individuo toma, os caminhos que percorre, a maneira como age – a determinação de se manter firmes a tudo isso – são fatores cruciais tanto para o “pertencimento” quanto para a “identidade”.
A ideia de “ter uma identidade” segundo Bauman (2005), não vai ocorrer às pessoas enquanto o “pertencimento” continuar sendo o seu destino, uma condição sem alternativa. Só começarão a ter essa ideia na forma de uma de uma tarefa a ser realizada, e realizada vezes e vezes sem conta, e não de uma só tacada.
Não me recordo de dar muita atenção à questão de minha “identidade”, pelo menos do ponto de vista da nacionalidade, antes do brutal despertar de março de 1968, quando o meu poloneismo foi publicamente posto em dúvida. Imagino que ate então eu não esperava, prosaicamente, e sem qualquer ansiedade ou astúcia, aposentar-me por tempo de serviço na Universidade de Varsóvia e ser enterrado, chegada a hora, num cemitério da cidade. Mas, desde março de 1968, o que todos esperavam de mim, e ainda esperam, é que eu me autodefina e que eu tenha uma visão ponderada, cuidadosamente equilibrada e ardentemente defendida da minha identidade. Por quê? Por que, uma vez tendo sido obrigado a me mudar, expulso de algum lugar que pudesse passar pelo meu “habitat natural”, não haveria em espaço a que pudessem considerar-me ajustado, como dizem, cem por cento. Em todo e qualquer lugar eu estava algumas vezes ligeiramente, outras ostensivamente – “deslocado”.
Aconteceu que entre os vários problemas conhecidos como “minha identidade”, a nacionalidade ganhou uma proeminência particular. Eu compartilho essa sorte com milhões de refugiados e migrantes que o nosso mundo em rápido processo de globalização produz em escala bastante acelerada. Mas a descoberta de que a identidade e um monte de problemas, e não uma campanha de tema único é uma aspecto que compartilho com um número muito maior de pessoas, praticamente com todos os homens e mulheres da nossa era “liquido - moderna”.
As peculiaridades da minha biografia dramatizam e colocam em pleno destaque um tipo de condição que hoje em dia é bastante comum, a caminho de se tornar quase universal. Em nossa época liquido – moderna, o mundo em nossa volta está repartido em fragmentos mal coordenados, enquanto as nossas existências individuais são fatiadas numa sucessão de episódios fragilmente conectados. Poucos de nós, se é que alguém, são capazes de evitar a passagem por mais de uma “comunidade de ideias e princípios”, sejam genuínas ou supostas bem – integradas ou efêmeras, de modo que a maioria tem problemas em resolver (par usar os termos cunhados por Paul Ricoeur) a questão da la mente a consistência e continuidade de nossa identidade com o passar do tempo).
Poucos de nós, se é que alguém, são exposto a apenas uma “comunidade de ideias e princípios” de cada vez, de modo que a maioria tem problemas semelhantes com a questão da I’ipséite (a coerência daquilo que nos distingue como pessoas, o que quer que seja). Segundo a Agnes Heller minha amiga e colega de trabalho questionou-se que sendo mulher, húngara, judia, norte – americana e filosofa, estava sobrecarregada de identidades de mais para uma só pessoa. Ora, seria fácil para ela ampliar a lista, mas os arcabouços de referência por elas citados já são suficientemente numerosos para demonstrar a impressionante complexidade da tarefa.
As “identidades” flutuam no ar, algumas de nossa própria escolha, mas outras infladas e lançadas pelas pessoas em nossa volta, e é preciso estar em alerta constante para defender as primeiras em relação às últimas. Há uma ampla probabilidade desentendimento, e o resultado da negociação permanece eternamente pendente. Quanto mais praticamos e dominamos as difíceis habilidades necessárias para enfrentar essa condição reconhecidamente ambivalente, menos agudas e dolorosas as arestas ásperas parecem, menos grandiosos os desafios e menos irritantes os efeitos. Pode-se até começar a sentir-se chez soi[1]. Pode-se reclamar de todos esses desconfortos e, em desespero buscar a redenção, ou pelo menos o descanso, num sonho de pertencimento. Mas também se pode fazer, desse fato de não ter escolha uma vocação, uma missão, um destino conscientemente escolhido – ainda mais pelos benefícios que tal decisão pode trazer para os que a tomam ou a levam a cabo, e pelos prováveis benefícios que estes podem então oferecer a outras pessoas.
Segundo BENEDETTO VECCHI Na imaginação sociológica, a identidade é sempre algo muito evasivo e escorregadio, quase uma priori, ou seja, uma realidade preexistente. Por exemplo, para Émile Durk Heim, as identidades coletivas sempre permanecem como pano de fundo, mas não há duvida de que, em seu livro mais famoso, A divisão social do trabalho, essa divisão é um elemento contraditório. Por um lado, ela coloca em risco os vínculos sociais, mas ao mesmo tempo atua como fator de estabilização na transição para a criação de uma ordem social. Entretanto, em seu arcabouço analítico, a identidade deve ser considerada um objetivo, um proposito, em vez de um fator predefinido. Qual sua opinião?
Minha opinião é igual à sua... Sim, de fato, a “identidade” só nos é revelada como algo a ser inventado, e não descoberto; como alvo de um esforço, “um objetivo”; como uma coisa que ainda se precisa construir a partir do zero ou escolher entre alternativas e então lutar por ela e protegê – La lutando ainda mais – mesmo que, para que essa luta seja vitoriosa, a verdade sobre a condição precária e eternamente inconclusa da identidade deva ser, e tenda a ser, suprimida e laboriosamente oculta.
A “identidade” não se destacava em meio a essas preocupações. Suponho que, caso tivessem dirigido os seus ouvidos – finalmente sintonizados com os grandes problemas do seu tempo, quaisquer que fossem – para o nosso tipo de sociedade, que estava para nascer quase um século mais tarde, teriam considerado a súbita centralidade do “problema da identidade”, tanto nos debates intelectuais quanto na consciência comum, um dilema sociológico dos mais intrigantes (BAUMAN, 2005, p. 22).

É realmente um dilema e um desafio para a sociologia – se você se lembrar de que, há apenas algumas décadas, a “identidade” não estava nem perto do centro do nosso debate, permanecendo unicamente um objetivo de meditação filosófica. Atualmente, no entanto, a “identidade” é o “papo do momento”, um assunto de extrema importância e em evidência.  
Esse súbito fascínio pela identidade, e não ela mesma, é que atrairia a atenção dos clássicos da sociologia, caso tivessem vivido o suficiente para confronta - lo. É provável que conseguissem uma pista com Martin Heidegger (mas não estavam mais entre nós quando ela foi oferecida): você só tende a perceber as coisas e coloca – las no foco do seu olhar perscrutador e de sua contemplação quando elas se desvanecem, fracassam, começam a se comportar estranhamente ou decepcionam de alguma forma.
Segundo Bauman (2005) pouco antes de a última Guerra Mundial irromper, realizou-se um censo na minha Polônia natal, então uma sociedade multiétnica. Certas partes do país eram habitadas por uma inusitada mistura de grupos étnicos, créditos religiosos, língua e costumes.     
Os acordos Brasil e EUA. Cooperação econômica estratégica militar (1937 - 1942)

Durante o inicio de fevereiro de 1940 e o segundo semestre de 1941, foram formulados os vínculos Brasil e Estados Unidos. Assim. Sendo, foi feito o acordo Brasil e EUA e com os sucessos das negociações estratégicas e militares, concomitantemente aos acordos realizou-se a III reunião de Consulta dos Ministros das Relações das Repúblicas Americanas, o então ministro das relações exteriores do Brasil, Souza Costa, por sua vez viaja para os Estados Unidos com a finalidade de discutir uma série de fatores pendentes e importantes para assim selar a aliança entre Brasil e os EUA.
O sucesso das negociações econômicas e militares gerou bens políticos e foram vantajosos para Washington. Esse conjunto de acordos brasileiro-americano, passou a ser chamados de acordo de Washington. E Durante esse período, os acordos se originara nas decisivas mudanças da posição que o Brasil tomara diante da Guerra e, também, particularmente da Alemanha.
Segundo presidente Vargas essas negociações eram vitais. A pretensão varguista era de obter do governo norte americano armamentos e créditos, bem como a ampliação de mercados para as exportações brasileiras e, principalmente recursos para o desenvolvimento industrial. Os acordos qual ratificariam com sucesso da política de aproximação com os EUA o Brasil pode enfim assumir, sua posição no conflito com países do Eixo.
Segundo Seitenfus (2003). As negociações brasileiro-americanas apresentavam várias dificuldades. Inexistiu um plano objetivo e detalhado. Por parte do Brasil. Que fosse conduzido por negociadores com mandato definido.
O Brasil por sua vez se encontrava em vulnerável situação, particularmente quanto a seu preparo bélico. E, Vargas não se sentindo seguro quanto ao rumo que dera à política externa brasileira.
O governo brasileiro nutria dúvidas quanto à disposição do governo Roosevelt no auxilio em termos econômicos e militares. Vargas então passa um comunicado a Souza Costa que dizia ter desconfiança quanto ao prazo de entrega dos materiais bélicos. O que definiria, segundo o presidente se valeria ou não a pena o abraço com os Estados Unidos, pois a desconfiança do governo brasileiro era fundamentada pelas dificuldades do Ministro das Relações Exteriores Souza Costa quando das negociações com os EUA.
Vargas esperava que Souza Costa conseguisse resolver vários pontos em aberto nas relações entre os dois países e garantir um fluxo de fortalecimento de produtos norte-americanos vitais para a economia brasileira. Souza Costa centrou as discussões nas questões relativas ao fornecimento de equipamento militar para as Forças Armadas brasileiras, a obtenção de créditos, ao fornecimento de equipamento de equipamentos para vários setores econômicos e à possibilidade de expandir as exportações de borracha, minério de ferro, algodão, tungstênio, níquel, e cobalto (CORSI, 2000, p. 196).

Ao que parece, o problema dos equipamentos militares bélicos é uma das questões mais importantes do governo brasileiro, pois boa parte do comunicado de Vargas a Souza Costa o mês de fevereiro tratavam desse assunto.
Vargas já se dizia entediado quanto às pressões das forças armadas. Assim, o governo brasileiro estava reluzente quanto à posição norte-americana e também com a falta de resultados concretos diante de tantos problemas, ainda sofria também com as pressões da Argentina.
No entanto Getúlio Vargas alertou por diversas vezes o ministro Souza Costa quanto o perigo que a Argentina representava. Assim, o comunicado do governo informava de que o vizinho Sul americano aumentara seu efetivo exército e com isso, a situação exigia também o gerenciamento de fronteiras brasileiras e também na região do rio Uruguai, sendo necessário substituir a polícia de estado pelo exército.
A intenção de Getúlio Vargas era que essa informação chegasse até o governo Roosevelt, com a intensão fazer com que o governo americano colaborasse com sua proposta de fortalecimento das efetivas e nítidas armas brasileiras através do governo. Porém, a essa altura as negociações não vinham de modo algum correspondendo às devidas expectativas e necessidades das forças armadas brasileiras.
Segundo coloca Corsi (2000), a delegação brasileira também procurou utilizar-se de um argumento mais consistente, segundo o qual um fracasso da missão acabaria fortalecendo a posição do Chile e da Argentina.
Porém tais pressões, no entanto, eram duvidosas para os estrategistas dos EUA, que por sua vez passaram a ter uma maior preocupação com o Brasil quanto a sua defesa e também de um possível ataque nazista contra a região do Nordeste e a não ameaça de região Sul, que por sua vez esta seria a região de maior preocupação das forças militares brasileiras.
Vargas insistia muito quanto ao assunto da supremacia brasileira de nossos vizinhos argentinos, neste sentido, que por sua vez, o Brasil tinha uma política de alinhamento com os Estado Unidos e insistia no fortalecimento de armas por parte dos norte – americanos, considerava fundamental o apoio norte- americano para que forças armadas do Brasil tivessem uma grande vantagens sobre as forças armadas argentinas.
No entanto o governo norte-americano questionava, reafirmando que o pedido Brasileiro seria atendido e que o governo Vargas deveria passar uma lista de materiais bélicos, os quais os Estados Unidos estariam enviando de imediato.  Estas encomendas eram consideradas pelo governo de essencial importância.
A posição dos Estados Unidos quanto a um eventual armamento brasileiro, e latino-americano em geral, é ambígua e desconfortável. Washington mantém duas atitudes contraditórias. A primeira consiste em manter a América Latina distante da corrida armamentista. Se as vantagens dessa hipótese são evidentes, seus inconvenientes também o são, pois é incompreensível que os Estados Unidos, a o mesmo tempo que apregoam a necessidade de uma defesa coletiva continental, recusem-se a conceder aos países Latino- americanos os meios técnicos e financeiros para concretizá-la. A segunda possibilidade que se oferece aos Estados Unidos é a de continuar sua política restritiva, correndo o risco, no entanto, de levar a América Latina a buscar outros fornecedores, em especial os países do Eixo (SEITENFUS, 2003, p. 186).

Segundo a citação demonstra o quanto os Estados Unidos estava preocupados com a América Latina, no que diz respeito à concessão de materiais bélicos a serem enviados. Porém, em geral, aos olhos de Washington essa questão era ambígua e desconfortante, pois de um lado os Estados Unidos queria manter a América Latina fora da corrida armamentista, mais por outro lado tinha o receio de perder a sua parceria com a América Latina para os países do Eixo.
Por sua vez a América Latina facilitaria as coisas para os Estados Unidos, visando obter uma maior quantidade de materiais bélicos passando a empenhar-se o menos possível nos projetos de defesa continental.
Sendo assim, a posição defendida pelo Rio de Janeiro passou a ser particular, pois no que diz respeito à cessão bases de militar para a defesa continental, o Brasil exigiria um tratamento um tanto quanto especial, por conta dos compromissos inseridos na conferencia dos países pan - americanas e de olho também nas intenções norte- americanas.
Souza Costa tentou melhorar a proposta dos Estados Unidos, com o Brasil. Pois apesar de ter conseguido firmar as negociações armamentista, no que ficou bastante evidente em no dia 21 de fevereiro em um telegrama de Vargas a Souza Costa, nos quais o presidente concorda com a lista de materiais a ser recebida. Por tanto.
Em fins de fevereiro de 1941 as negociações entre Brasil e EUA chegam a um significativo acordo quanto ao fornecimento de equipamentos de materiais bélicos. Com base na lei de empréstimos e arrendamentos firmado entre os dois países, o governo desembolsou um montante de 100 milhões de dólares que o Brasil poderia gastar. O acordo de outubro de 1941 passou esse montante de 200 milhões de dólares. Assim, mediante a essas compras, o pagamento efetivamente restringia-se em 35% do material recebido.
Foi sancionado também um esquema de entrega de material entre Brasil e os Estados Unidos.
Porém, esse acordo entre Brasil e Estados Unidos teve uma significativa melhora em relação aos ganhos militares brasileiros. Entretanto, as relações foram marcadas pelas desconfianças mútuas.  Em maio de 1942 foi assinado outro acordo de militar entre os dois países, com ele uma comissão conjunta dos dois países ficaria responsável e encarregada por organizar a defesa do Nordeste brasileiro.
Em vista disso o fornecimento de armamentos para os militares brasileiros possibilitou uma melhoria das forças armadas brasileiras. No entanto, até aquele momento, por causa da carência de divisas que estendeu-se por  toda a década de 1930, colocava-se em questão a ideia segundo o  qual o fortalecimento militar do Brasil seria uma forma de assegurar sobretudo o interesse a política nacional  seguida pelo governo  de maneira mais  clara desde meados de 1937. Segundo Seitenfus (2003), o chefe de Estado Maior do Exercito dos Estados Unidos, George C. Marshall, visitou o Brasil em maio de 1939 a fim de discutir os detalhes da defesa do Nordeste, o objetivo de Marshall era convencer Góes Monteiro de reforçar as guarnições do Nordeste.


As negociações caminharam mais próximas do que se esperava o governo brasileiro e assim Souza Costa parecia ter adotado uma posição mais incisiva nessas negociações.
Os acordos econômico-financeiros e as questões econômico-financeiras, no entanto, sofreriam com hostilidades da Europa.  Esses acordos econômicos são vistos por diferentes ângulos, levantou-se à questão dos atrasados (divida externa) brasileiras, durante todo o ano de 1939 e inicio de 1940 estabilizam-se contatos em vistas a determinar modalidades que seriam uma forma de tentativa de retomado o pagamento dos atrasados (divida externa) brasileiras.
A segunda parte dos acordos provocou reações econômicas bastante significativas e isso se justificaria pela formidável progressão de intercambio comercial entre os países fazendo crescer em particular as importações brasileiras. Em vista disso a diplomacia de Washington pode considerar-se duplamente satisfeita, para tanto, além de incrementar o seu comércio em território sul americano por sua vez Washington fez uma quebra nos acordos germano-brasileiras refletindo também nas exportações do Rio de Janeiro para Londres.
Na terceira parte foi importante para o Brasil, pois trata-se de uma cooperação econômica que deve ser elaborado entre os dois países. Assim quando da missão Aranha a Washington no inicio de 1939 foram tomadas decisões importantes, embora  nenhuma se referia diretamente a questão da  imediata  cooperação econômica.
A questão da implementação de uma siderúrgica ocupa uma posição central, pois dependia-se dela para que a industrialização do país. Se efetivasse.
A partir dai a siderúrgica condiciona a política externa brasileira e também a parte em especial as relações com Washington.
Segundo Seitenfus (2003), Getúlio Vargas fez dela um ponto capital e constante em todos os seus projetos governamentais. O governo Vargas, dividido em muitos aspectos, une-se em torno da questão siderúrgica, que devolve à equipe governamental uma aparência de coesão.
Os Estados Unidos para atingir seus objetivos de grande potência procurava redobrar seus esforços para fazer com que a neutralidade, sob a influência alemã e também as eventuais rebeldias dos governos nacionalistas da América Latina, não refletisse a sua hegemonia.
Em 1938 com a Política de Boa Vizinhança, intensificam-se as relações continentais. O Brasil foi o alvo estratégico dessa política qual se empenhava para atrair o país, pois os americanos temia a instauração de uma ditadura nacionalista, pois aparentemente aproximava-se em termos ideológicos da Itália fascista.
Segundo Corsi, “em face do ameaçador desafio nazista, os Estados Unidos concentraram seus esforços para cerrar as fileiras hemisféricas”. (CORSI, 2000. p.92)
Diante disso o Estado Novo passa a decretar a moratória da dívida externa e, com isso, pode estabelecer uma política cambial restritiva e também pode aprofundar a legislação que, feriu drasticamente os Estados Unidos.  Isso gerou certa desconfiança entre o empresariado e também o governo Roosevelt, porém à possibilidade de radicalização desse nacionalismo e também de uma vinculação com a Alemanha, induzia a aproximação entre os dois países.
Segundo Corsi (2000) a situação era preocupante pelo fato do comercio brasileiro não ter deixado de crescer no período.
A repercussão do golpe de 1937 teve uma negatividade nos EUA. O diplomata Oswaldo Aranha em telegrama ao ministro das Relações Exteriores dizia da repercussão do golpe na imprensa norte-americana e coloca.
O governo brasileiro fracassou quando da locação dos contra torpedos US, com isso Vargas deixou a Marinha de Guerra desamparada, e insistindo no fortalecimento das aeronaves, com bens utilizando para isso os equipamentos obsoletos.
Segundo coloca Corsi (2000), a extensa pauta de negociações: o fornecimento de equipamentos militares; o plano de cooperação econômica em larga escala; e projetos de defesa continental, implicava um dificuldades e na concretização dos acordos.
O Brasil, no entanto, em suas perspectivas se mostra muito difuso quanto à virtude de amplas necessidades de suas forças armadas, pois o Chefe do Estado Maior, Góes Monteiro foi aos EUA em meados de julho de 1939, para definir as negociações de fornecimento de um sistema antiaéreo. Contudo o Brasil estaria de fato em sua perspectiva de se reestruturar seu exercito e também fazer com que cresça suas Forças Armadas com a queda da França em meados de 1940, o que estimulou ainda mais a política externa norte-americana para que o Brasil assumisse uma postura explicita diante do Eixo. Em agosto do mesmo ano cinquenta aviões contratorpedeiros foram enviados para a Inglaterra a intensão diante como pagamento do empréstimo de bases navais e, em meados de março um ano pós os empréstimos de bases navais, foi aprovada uma lei que atendeu pelo nome lei delend-lease, que autoriza as entregas de material bélico aos britânicos e também repassou os mesmos à URSS.
O governo Vargas parecia ciente das tendências da política externa norte-americana. Em julho de 1941, encontra-se no diário de Vargas a seguinte nota a respeito de uma mensagem de Roosevelt, na qual este convida o Brasil a participar, conjuntamente com os EUA, da ocupação militar da Guiana Holandesa, de Cabo Verde e de Açores: “recebi depois o embaixador americano, Caffery que me entregou uma curiosa mensagem do presidente Roosenvelt, que era no fundo um convite de colaboração para a guerra contra a Alemanha”. Alguns meses depois, escrevia: “os americanos querem nos atrasar à guerra na Europa sob o pretexto de defesa da América” (CORSI, 2000, p. 166).

Segundo nos mostra a citação a cima em meados de julho de 1941, quando o governo Roosevelt deixa explicitamente a sua e estratégia, onde os EUA convida o Brasil para a ocupação da guerra na Guiana Holandesa. No entanto, o governo Vargas retorna o comunicado do governo norte-americano dizendo que os norte-americanos utilizam da guerra na Europa como pretexto para ampliar a sua presença continental. Os meses que se seguiam, no entanto, contaram com os EUA que de fato continuaram envolvendo-se crescentemente na guerra. Assim, em meados de 1941 foi realizado um encontro que reuniu o presidente norte-americano Franklin D. Roosenvelt e o primeiro ministro britânico Wilson Churchill, resultando dai na carta do Atlântico. A reunião teve por seu objetivo estabelecer os pontos básicos da aliança entre os EUA e a Grã-Bretanha, resultando assim um tratado entre os países, no qual norteariam as posições dos Estados Unidos e inglesa em Potsdam entre na política de contenção à Alemanha.
Segundo coloca Corsi (2000) ao mesmo tempo os EUA decidiam não renovar o tratado de comercio com o Japão, em virtude da política expansionista dos japoneses na Ásia.
Neste contexto, as perspectivas do Brasil quanto aos acordos com os norte-americanos seriam uma forma de intensificação do governo Roosevelt para ampliar sua política e influência continental, visando à aproximação com a América do Sul.  Essa aproximação se deu justamente quando, no mesmo momento, os países da América do Sul passavam de dificuldade em ralação ao comércio exterior, com a perda de boa parte dos mercados da Europa continental.
 A possibilidade da crise da redução das exportações afetar a América do Sul não o preocupava o governo Roosevelt. Os EUA por sua vez aumentavam o seu foco de interesse em matérias-primas exportadas pela América do Sul, mas também se preocupava com a instabilidade política e econômica continental.





[1]  (“Em casa”) em qual quer lugar – mas o preço a ser pago é a aceitação de que em lugar algum se vai estar total e plenamente em casa.

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