sábado, 30 de agosto de 2014

UNIVERSÍDADE FEDERAL DE GOIÁS
PÓS – GRADUAÇÃO STRITU SENSU
DISCIPLINA: CULTURA MEMÓRIA E PATRIMONIO
PROF. DR. NOÉ FREIRE SADES
ALUNO: JOÃO RAFAEL TATICO BORGES

Referências

ASSMANN, Aleida. Espaços da recordação: formas e transformações da memória cultural. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2011.

NORA, Pierre. Entre Memória e História: a problemática dos lugares”, In: Projeto História. São Paulo: PUC, dezembro de 1993.

LE GOFF, Jaques. História e memória: tradução Leitão. Campinas, SP Editora UNICAMP (Coleção Repertórios), 1990.

1ª - Discuta a relação entre História e Memória (comparando os textos de Assmann e Nora).

2ª - Discuta a relação entre documento e monumento a partir afirmação de que todo documento é verdade ou mentira.

HISTÓRIA E MEMÓRIA SEGUNDO  ASSMANN E NORA
Segundo diz Nora (1993) o fator determinante no desejo de memória de nossa época a problemática fundamental da questão da mundialização, processo pelo qual o mundo se torna um só e no qual os meios de comunicação de massa exercem um papel primordial. No entanto Nora (1993) diz que memória e história evocam o mesmo tempo - o passado. Contudo, apesar da matéria-prima comum, é a compreensão oposta a mais difundida entre os especialistas, ou melhor, memória e história não se confundem. No livro a memória coletiva do sociólogo Maurice Halbwachs,     (1990 – [1949]) segundo suas palavras já procurava sublinhar a diferença entre as duas palavras. A memória coletiva ou social não pode se confundir com a história. Ao contrário, a história, na sua leitura, começa justamente onde a memória acaba e a memória acaba quando não tem mais como suporte um grupo. Em outras palavras, a memória é sempre vivida, física ou afetivamente.
Ao contrario de Nora Assmann (2011) nos mostra que história e memória, nesse caso, são determinadas pela limitação reciproca que impõe uma a outra: uma é sempre o que a outra não é. Assim, tanto se descreveu o surgimento da historiografia critica como emancipação em ralação a uma memória oficial quanto se fez prevalecerem os direitos da memória em face de uma ciência histórica poderosa de mais. Os estudos do historiador Francês Pierre Nora destaca Assmann (2011) apontam que por trás da memória coletiva não há alma coletiva nem espirito coletivo algum, mas tão somente a sociedade com seus signos e símbolos.
Assim destaca Assmann (2011) Nora cumpriu na teoria da memória o passo que vai do grupo vinculado na coexistência espaço temporal, tema estudado por Halbwachs, à comunidade abstrata que se define por meio dos símbolos que abrangem e agregam, em nível especial e temporal.  Assim sendo Nora diz (1993) trata da distinção entre memória e história, além de realizar a construção de uma nova noção para se trabalhar na fronteira destas vivências: os lugares de memória. Para Nora, diz Assmann (2011) memoria coletiva (de grupo) e escrita analítica da história estão em uma luta que, na esteira da modernização, dá-se inevitavelmente em prejuízo da memória:
Memória, história não são sinônimos de modo algum; na verdade, como já sabemos hoje, são opostos em todos os aspectos. [...] A memória é sempre um fenômeno atual, uma construção vivida em um presente eterno, enquanto que a história é representação do passado. [...] A memória surge a partir de um grupo cuja conexão ela estimula [...] A história, por sua vez, pertence a todos e a ninguém, e por isso é desligada como universal (ASSMANN, 2011 p. 145 - 146).

Aceleração da história.  Nora (1993) para além da metáfora é preciso ter a noção do que a expressão significa: uma oscilação cada vez mais rápida de um passado definitivamente morto, a percepção global de qualquer coisa como desaparecida – uma ruptura de equilíbrio. O arrancar do que ainda sobrou de vivido no calor da tradição, no mutismo do costume, na repetição do ancestral, sob o impulso de um sentimento histórico profundo. A ascensão à consciência de si mesmo sob o signo determinado, o fim de alguma coisa desde sempre começada. Fala-se tanto de memória porque ela não existe mais NORA (1993) segundo aponta Assmann (2011) às teorias de memória de Nietzsche, Halbwachs ou Nora pontua que o caráter construtivista da recordação, seu caráter assegurador da identidade, e afirmam o direito dela em face de uma ciência histórica objetiva e neutra.
Nora (1993) Por tanto e extremamente significativo que constata uma diferença importante, que pode ser identificada na reflexão de Halbwachs, mas que está explicitada no argumento de Nora, qual seja. A distinção entre história-objeto e história-conhecimento, “história vivida e operação intelectual que a torna inteligível. Para Nora (1993) a memória é um processo vivido, conduzido por grupos vivos, portanto, em evolução permanente e suscetível a todas as manipulações. Em primeiro lugar ressalta Assmann (2011) cabe mencionar uma vez mais Friedrich Nietzsche, que segundo sua Obra da juventude “Da utilidade e do maleficio da história para toda a vida”, contrapôs de maneira polemica a memoria benéfica à vida e a história é “recordar”; à memória corresponde mais “esquecer”. Nietzsche tomou como ponto de partida a ideia de que “cada pessoa cada povo, [...] segundo seus objetivos, suas forças e suas necessidades”, precisa de “certo conhecimento do passado”.
A memória é vida, sempre carregada por grupos vivos e, nesse sentido, ela está em permanente evolução, aberta à dialética da lembrança e do esquecimento, inconsciente de suas deformações sucessivas, vulnerável a todos os usos e manipulações, susceptível de longas latências e de repentinas revitalizações”(NORA, 1993 p. 09) como fez Halbwachs (1990) há tantas memórias quantos grupos existem; que ela é, por natureza, múltipla e desacelerada, coletiva, plural e individualizada. Nora (1993) diz A memória é um absoluto e a história só conhece o relativo.”
A composição de Niethammer entre “tradição” e “resquício” diz Assmann (2011) pode traduzir-se na contra posição entre “memória funcional” e “memória cumulativa” e seu programa historiográfico pode ser relacionado à interação ora sugerido de duas camadas da memória.
 “Os lugares de memória nascem e vivem do sentimento que não há memória espontânea, que é preciso criar arquivos, que é preciso manter aniversários, organizar celebrações, pronunciar elogios fúnebres, notariar atas, porque essas operações não naturais. É por isso a defesa pelas minorias, de uma memória refugiada sobre focos privilegiados e enciumadamente guardados nada mais faz do que levar à incandescência a verdade de todos os lugares de memória. Sem vigilância comemorativa, a história depressa as varreria (NORA, 1993 p. 13).
“História” aponta Assmann (2011) (no sentido de “historiografia critica”) é o produto de um processo cultural de diferenciação. Desenvolveu-se por meio da emancipação da “memória” (“no sentido de tradição normativa”). Uma memória cumulativa desvinculada da memória funcional decai à condição de fantasmagórica, e uma memória cumulativa decai à condição de uma massa de informações sem significado.  
O fim de uma tradição de memória o tempo dos lugares diz Nora é esse momento preciso onde desaparece um imenso capital que nós vivíamos na intimidade de uma memória, para só viver sob o olhar de uma história reconstituída. Segundo o que diz Nora (1993) historicamente, o historiador assume cada vez mais um papel central, “porque nele se opera aquilo de que ela gostaria, mas não pode dispensar. O historiador é aquele que impede a história de ser somente história.
Assmann (2011) não há tendências semelhantes na França, de jogar a história memória uma contra a outra? Penso em Pierre Nora e seu grande projeto Lieux de Mémorie. Aponta Assmann (2011) não será ele um retorno da dimensão memorial que se opõe à cientifica? Penso em um texto de Nora em que ele opõe os dois conceitos e destaca que a história corroí os fundamentos da recordação viva.
Primeiro Nora não opõe a recordação à história, mas move – se por completo sobre o terreno da historiografia cientifica. Sua inovação consiste em haver descoberto a história dos monumentos como um campo objetal da historiografia. Segundo, para entender o que Nora tem em mente com a “corrosão dos fundamentos da recordação pela ciência histórica”, é preciso saber o que precedeu seu projeto: a escola dos Annales. Brudel, que foi meu professor, mas não professor de Nora estudou história sem qualquer relação com a memória. Por fim, isso resultava em que tal história passava a ser um conhecimento altamente especializado que nada mais dizia respeito aos leigos. Pagou-se um preço alto por essa nova forma de conhecimento: a história desapareceu da consciência da população e foi banida cada vez mais dos currículos escolares e planos de ensino. Foi aqui que Nora entrou em ação (ASSMANN, 2011, p. 157) então diz Nora (1993) à memória é sempre suspeita para a história, cuja verdadeira missão é destruí – lá e a repelir. A história é desligitimação do passado vivido.
DOCUMENTO MONUMENTO A PARTIR DE QUE TODO DOCUMENTO É VERDADEIRO OU FALSO
Segundo diz Le Goff (1990) Os monumentos, herança do passado, e os documentos, escolha do historiador. O monumento é tudo aquilo que pode evocar o passado. O documento triunfa. O seu triunfo, como bem disse Fustel de Coulanges, coincide com texto a partir de então, todo o historiador que trate de historiografia recordará que é indispensável o recuso do documento.
O documento é por si só existe desde os tempos da Idade Media onde durantes esse período foram registros escritos que por sua vez foi delimitado como um documento monumento no sentido de que a intenção do mesmo é de então perpassar uma história memória, ou seja, fazer com que através deste, pessoas possam reviver o passado, porém, o documento por sua vez ele não tem em hipótese alguma passar nenhuma espécie de falsidade bem como a verdade cabe a meu ver a cada um observar o documento pesquisado, no entanto o Historiador ou qualquer outro pesquisador passa mostrar que fato o documento é um dado que não existe mais como bem disse Le Goff (1990) é um dado qual o historiador se apoia para traçar por diversas formas tudo o que o documento possa dizer e o quanto o pesquisador está querendo ir além assim sendo o documento nos mostra o quanto está disposto a nos oferecer para então se ter uma pesquisa ampla e bem aprofundada do documento pesquisado.
Segundo aponta Le Goff (1990) Iniciada na Idade Média, consolidada no inicio do renascimento, enunciada pelos grandes eruditos do século XVII, aperfeiçoada pelos historiadores positivista do século XIX, a critica do documento tradicional foi essencialmente uma procura da autenticidade. Ela persegue os falsos e, por consequência, atribui uma importância fundamental a datação.
Pois bem como pontuou Le Goff (1990) o documento deve ser submetido a uma critica mais radical, de fato por esse motivo atribui-se uma importância fundamental quanto à datação.  Fato este que comprova o quanto o documento é ou poderá ser verdadeiro ou falso.

O documento não é qualquer coisa diz Le Goff que fica por conta do passado, é um produto da sociedade que o fabricou segundo as relações de forças que ai detinham o poder.

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